Preparem-se: a moça do brinco de pérola está vindo para New York.

Foto delicadamente surrupiada do Wilkipedia.

Ela só chega o ano que vem. No fim do ano, para ser mais exata, mas o buxixo já começou. Afinal, faz mais de 30 anos que ela passou por aqui. Vinda da Holanda, onde é conhecida como a Gioconda do pedaço. Sua “casa” é a Royal Picture Gallery Maurutshuis, em Amsterdã, embora todo mundo ache que ela “more” no Rijksmuseum.

 

Embora esteja na crista da onda há vários séculos, foi só a partir de um famoso best seller, no final dos anos 90, que ela passou a bombar de fato. E quando o livro virou filme, então, foi um deus nos acuda. Ainda mais que tinha o gracinha do Colin Firth (suspiros…). Ah, sim, e a Scarlett Johansson fazendo o papel da própria. Quer dizer, fazendo o papel da moça do brinco.

 

Estou falando, é claro, do quadro Girl with a Pearl Earring, que a Frick Collection deverá exibir a partir de 22 de outubro de 2013. E junto com a obra-prima de Vermeer, vem também Rembrandt e outros mestres. São 34 quadros que passam antes por San Francisco (de janeiro a junho) e Atlanta (de junho a setembro).

 

Outubro de 2013 ainda parece muito longe, não é? Mas eu já começaria a pensar em ingressos, pois a moça do brinco de pérola promete filas intermináveis. E com fila eu não “brinco”. Ai…

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Tem cada vez mais museus fazendo hora extra.

Não é de hoje que os museus decidiram dar uma esticada no expediente. Em muitos deles, pelo menos uma vez por semana a gente tem um chorinho de duas ou três horas no horário de fechamento. O que acaba sendo uma mão na roda para quem trabalha ou para quem está visitando e quer fazer render ao máximo o tempo de permanência.

 

Não estou falando apenas do American Museum of Natural History que, pegando carona no filme Night at the Museum, passou a abrir suas portas para crianças dispostas a viver a mesma experiência do Ben Stiller (na verdade, foi o contrário, pois o museu faz sleepover desde 2005). Nem do Rubin Museum do Chelsea onde, por 55 doletas, você pode, em datas pre-determinadas, é claro, dormir com as obras de arte e inclusive ter seus sonhos interpretados por psicólogos de plantão.

 

Estou falando mais exatamente dos horários dilatados que mais e mais museus de New York passaram a praticar. Novidades não só no horário, mas também na oferta: palestras, encontros com celebrities, restaurantes, shows, espaço para eventos, o diabo. Na verdade, parece que tudo começou, ou se cristalizou, com a exposição do Alexander McQueen, que obrigou o Metropolitan a esticar o horário até meia-noite nos últimos dias da mostra (apesar do museu já ficar aberto até 21:00 às sextas e aos sábados).

 

Nessa onda, o que fez o Fashion Institute of Technology, que possui no seu acervo várias criações do McQueen? Passou a abrir até as 20:00 de terça a sexta. Já o Museum of the Moving Image no Queens criou (ou copiou do Guggenheim) o After Hours Specials. E o Bronx Museum of the Arts mandou ver a First Friday, que mantém a casa aberta até as 23:00.

 

O Whitney fica aberto até as 21:00 às sextas-feiras. O Guggenheim, até as 19:45 às sextas e aos sábados. O New Museum, na Bowery, até as 21:00 às quintas. O MoMa abre até as 20:30 na primeira quinta do mês; e até as 20:00 toda sexta-feira. Além disso, seu Modern’s Bar Room estica até as 22:30 de segunda a quinta; até as 23:00 às sextas e sábados; e até 21:30 aos domingos. O que me faz voltar ao Whitney: o restaurante Untitled, que pertence à mesma cadeia do Modern, também faz serão três vezes por semana.

 

Até a New York Historical Society, depois de uma milionária reforma, não só passou a abrir até as 20:00 toda sexta-feira, como também inaugurou um Caffè administrado pelo mesmo restaurateur do Buddakan e Morimoto. Enfim, está todo mundo a fim de aproveitar a night. Ou melhor, faturar a night. Até alguns anos atrás, por exemplo, álcool não rimava absolutamente com museu. Hoje, os chardonnays e as margaritas rolam com a maior tranquilidade nas mais tradicionais instituições de Manhattan.

 

 

Outra modalidade de hora extra, que quase todos museus praticam, são as noites dedicadas aos “sócios”. A velha história de que quem tem carteirinha tem privilégio. Já fui a vários desses eventos e devo dizer que a parte social é chata (pelo menos para mim): o indefectível coquetel no lobby. Oh god, abomino sociabilizar! Mas depois fica ótimo: visitar as galerias, dividindo o espaço com um décimo da população costumeira. Isso é muito bom.

 

Mas enfim: com carteirinha ou sem carteirinha, tem cada vez mais museu fazendo hora extra. O que elimina a possibilidade de desculpas esfarrapadas do tipo: ah, não fui porque não deu tempo. Dá, sim. Mesmo que ele (o tempo) tenha que ser dividido com as horas que você vai gastar na fila da Abercrombie ou nas araras da Century 21…   :wink:

 

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New York é “um barato”!

Dedico este post aos queridos Denise Mustafa e Claudio Sena que desembarcam na Big Apple nos próximos dias.

 

 

Se você está lendo este texto com a esperança de descobrir lugares novos e descolados para passar as festas em NY, sugiro que você pare por aqui.

 

Mas se a idéia é saber como curtir a cidade com os olhos e não com o cartão de crédito, você está no lugar certo.

 

Na minha opinião, e na de alguns milhões de outras pessoas, o fim de ano é quando New York dá o melhor de si. Exigindo, é claro, a respectiva contrapartida que é fazer você levar a mão ao bolso o mais frequentemente possível. Mas que ela fica bonita, isso fica: toda enfeitada só esperando você chegar. Você e o Papai Noel, obviamente.

 

De qualquer maneira, como disse lá em cima, o objetivo deste post é fazer com que sua mão e seu bolso se encontrem só de vez em quando. Então vamos começar: para entrar no clima, recomendo um passeio na 5a. Avenida, começando no cruzamento da 57th street, onde está pendurado o floco de neve mais conhecido do mundo. Caminhando no sentido do tráfego, curta as luzinhas e as vitrines das lojas. Uma paradinha no Rockefeller Center, para ver a árvore da NBC, é necessária. E para registrar na sua agenda que você não pode deixar de esquiar também.

 

Aí aproveite que ainda não é a noite de Natal nem de Ano Novo e dê uma entradinha para conhecer a St. Patrick’s Cathedral. Saindo desse templo, pare num dos mais tradicionais templos de consumo da cidade, a Saks 5th Avenue, e limite-se a ver as lindas montagens natalinas das vitrines.

 

Continuando na 5a. você chegará ao Bryant Park, que é um dos mais charmosos da cidade. Ele fica atrás do imponente prédio da New York Library e, nessa época do ano, hospeda a feirinha de Natal mais simpática da ilha. Sei que alguns irão questionar essa afirmação, defendendo o mercadinho da Union Square. Nenhum problema. Mas com minha longa experiência de colecionadora de Papai Noel, sustento categoricamente:  a feirinha do Bryant Park é melhor!

 

Depois de curtir as várias barraquinhas, saia pela 42nd Street, direção west, e ande até o coração da cidade: o Times Square. Ali, pare um momento para relembrar as dezenas de filmes que usaram este cenário e sinta-se mais próximo de todos eles.

 

Curiosamente, entretanto, o que você não vai econtrar na iluminação feérica do pedaço é  Papai Noel. E, como a essa altura do campeonato você já percebeu que tenho uma  certa queda pelo velhinho, sugiro visitarmos outra freguesia. O que pode perfeitamente ser feito no dia seguinte: alugue uma bicicleta e vá passear no Central Park. Com sorte (ou azar, pois escorrega pra burro) terá nevado e você poderá curtir o lençol branco que mamãe natureza providenciou.

 

Saindo do parque, vá até o Lincoln Center. Além de respirar arte, você poderá visitar a feirinha, a lojinha (lojinha é modo de dizer), sentar displicentemente na rampa que se sobrepõe ao novo restaurante e, como não?, clicar fotos e mais fotos.

 

E como até agora você foi muito contido nos gastos, sugiro uma escalada ao Top of the Rock para uma das vistas mais bonitas da cidade. E, antes que alguém pergunte, já adianto a resposta: sim, eu prefiro o Top of the Rock ao Empire State. Mas claro que é uma questão de gosto pessoal. Sem citar o fato de poder comprar pela internet e reservar horário, em vez de ficar hooooras esperando na fila e no frio…

 

Citei meia dúzia de lugares, manjados como se costuma dizer, mas que ninguém se cansa de visitar. Além deles, é claro, existem infindáveis alternativas do que fazer nessa que é a capital do mundo. Meio abatida pela crise, é verdade, mas sempre capital.

 

E se, em suas caminhadas, você encontrar o Papai Noel, não esqueça de perguntar se ele já recebeu minha cartinha. E me avise, é claro…

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Não perca a exposição Do-It-Yourself.

Gentilmente surrupiada de http://hdwallpapersdesktop.com

Poucos meses atrás, o Metropolitan de New York organizou uma mostra chamada Rooms With a View. Que não era nada mais do que algumas dezenas de quadros reunidos a partir de um critério muito claro: as obras deveriam conter uma janela como parte da composição. Simples, não é? Obviamente, é assim que nascem as exposições: o curador juntando arte com marketing. Acabei de ver no Musée du Luxembourg a mostra Cezanne em Paris. Que não era nada mais do que a reunião dos quadros que o mestre pintou na capital da França. De novo, muito simples. Uma idéia seguida de muito esforço de produção: ir buscar todas as obras de Cezanne espalhadas pelo mundo. Mas conseguiram, como sempre conseguem. A mostra não era grande, mas tinha telas do mundo inteiro: de outros museus e também de coleções particulares. Ah, sim, tinha até duas do MASP. Lindas, por sinal.

 

Estou dizendo tudo isso porque, mesmo que Rooms With a View já não esteja mais em cartaz, você pode ir ao Metropolitan e organizar sua própria exposição. Dá mais trabalho, você vai ter que andar um pouco mais, mas o resultado sem dúvida vai ser mais gratificante. Eu particularmente sou chegada em quadros com janela e, sempre que tenho tempo, organizo minha própria mostra: vou ao Metropolitan e percorro as obras com esse tema. Me detenho muita mais, é claro, no pavilhão dos impressionistas, aí incluídos também os prés e os pós. Amo acima de tudo o Bonnard com suas janelas maravilhosas, mas babo também com uma longa lista de outros – começando, é claro, do Vermeer. E não é porque o Colin Firth o interpretou no Girl with a Pearl Ring

 

Bom, fica aqui a sugestão. Sempre que você passar num grande museu, tente uma mostra do-it-yourself. Escolha o critério (vale até natureza morta) e vá em frente. É muito legal, palavra de quem já acumulou vários anos de janela.

 

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Stieglitz colecionou. O Metropolitan expõe.

A exposição começou há pouco mais de uma semana e até ontem pelo menos ainda estava relativamente vazia. Mas essa moleza não vai durar, simplesmente porque a mostra é muito-muito boa. Estou falando de “Stieglitz and His Artists: Matisse to O’Keeffe”. Uma coleção que o Metropolitan Museum comprou em 1949, mas só agora decidiu mostrar por inteira. São centenas de obras que Alfred Stieglitz, o fotógrafo que descobriu, promoveu e esposou Georgia O’Keefe, reuniu ao longo da vida. E que obras! Foi Stieglitz, por exemplo, quem apresentou ao público americano nomes como Rodin, Cézanne, Picasso e Matisse.

 

Além de ser um mestre da fotografia, o grande mérito dele foi, num primeiro momento, promover a arte moderna européia. E depois, quando se apaixonou por Georgia, concentrar forças na arte moderna americana. E está tudo lá: são centenas de obras sala após sala, muitas delas praticamente desconhecidas do grande público. Fotografias, aquarelas, óleos, crayons, esculturas, etc, etc, com assinatura dos já citados monstros sagrados mais Toulouse Lautrec, Wassily Kandinsky, Arthur Dove, Charles Demuth, Paul Strand, Marius de Zayas, e uma  extensa lista de menos famosos mas não menos talentosos.

 

A mostra só vai até 2 de janeiro e, quanto mais perto do final do ano, mais difícil vai ser o acesso. Mais ainda com todas as novidades que o Metropolitan está apresentando. A principal delas? A nova galeria (com 15 salas!) dedicada à arte islâmica e que será inaugurada dia 1º de novembro. Fique atento! Como todos os anos, New York prepara-se para receber alguns milhões de turistas. Claro que sempre dá para entrar, mas você vai ter que curtir os quadros por cima do ombro do cidadão à sua frente…

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Picasso, agora bem mais perto!

Como minha dica de Picasso em Connecticut não deu o menor Ibope, mexi os pauzinhos para que trouxessem o catalão também para New York  :lol:  . Fato é que a Frick Collection exibe até 8 de janeiro “Picasso Drawing’s 1890-1921: Reinventing Tradition” com três décadas de desenhos cobrindo os períodos rosa e azul do famoso pintor. Se uma simples visita à Frick já valia a pena pela concentração de arte que a mansão oferece, com Picasso o programa se torna mais maravilhoso ainda.

 

Segundo a imprensa do setor, é a maior exposição do artista na cidade em mais de vinte anos. São 61 desenhos, começando com a primeira obra que ele teria assinado… aos 9 de anos de idade. A partir daí, contando com o total apoio do pai – um pintor que  nunca decolou – o talento de Picasso desabrocha e, na exposição, a gente pode acompanhar esse fantástico crescimento em direção à genialidade. Uma conquista que, olhando a timeline das obras, parece muito fácil e natural. Mas que, como todos sabemos, foi extremamente suada. Falta de recursos, fome, incompreensão, tudo jogando contra. Mas o mestre felizmente resistiu.

 

Se você passar por New York até 8 de janeiro, coloque a Frick no programa. É bem mais perto do que Connecticut, é ao lado do Central Park, é um lugar maravilhoso, é recheado de obras-primas, e é onde 61 desenhos do mestre dos mestres vão estar expostos até a primeira sexta-feira de janeiro. Tempo suficiente para você não deixar passar a oportunidade. Tá bom, não vou insistir mais. Só vou lembrar que, para chegar até a Frick, enfrentei fila, bloqueio de ruas e a Spansih Heritage Parade se arrastando pela 5a. Avenida. Bom, pelo pelo menos era Spanish como Picasso…

 

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Faraó faz sabático em New York.

Na verdade, um longo sabático: 10 anos! É esse o tempo que o faraó Amenemhat II vai ficar hospedado no Metropolitan Museum of Art. A estátua dele, é claro. Que pesa mais de 9 toneladas! Morar mesmo, o Amenemhat mora em Berlim. Mas, como o museu lá vai passar por uma longa reforma, despacharam a estátua para New York. A troco de uns trocados, é claro.

 

Imaginem a operação: mover nove toneladas de um museu para o outro. Mas deve ter sido bem mais fácil do que 4.000 anos atrás, quando carregaram o bloco de pedra (que era bem mais pesado!) 800 km da pedreira até o “studio” do escultor.

 

Amen, como ele seguramente vai ser chamado daqui a pouco tempo, já está instalado no Great Hall do Metropolitan, mas deverá mudar daqui em um ano para mais perto dos parentes (na famosa galeria egípcia do museu).

 

Então, anotem aí. Na próxima ou em qualquer outra viagem dos próximos dez anos, se faz mister ( :wink: ) dar um pulinho no Metropolitan e conhecer o atlético faraó que reinou há milhares de anos mas continua forte e rijo.

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Guggenheim on the go.

De uma parceria da BMW (que seguramente entrou com a grana)  com o Guggenheim (que entrou com o brain :wink: ), nasceu o BMW Guggenheim Lab, que o museu descreve como sendo uma combinação de inteligência, pesquisa e participação comunitária.

 

Afinal, do que se trata? Um momento. Primeiro, o endereço: um terreno baldio (bonita essa palavra) na esquina da Houston com a 2a. Avenida. Agora, vamos lá: trata-se de uma instalação, termo que a gente usa quando não sabe muito bem como definir a coisa.

 

Mas o objetivo da instalação/exposição/ou o que seja é muito claro: proporcionar uma “exploração interativa dos desafios que enfrentam hoje as grandes cidades do mundo”. Parece muito cabeça? Fique tranquilo que não é, não. As atividades são lúdicas, como o chamado Urbanologia, onde você aprende como funcionam as mega-capitais e faz sugestões sobre o que pode/deve ser melhorado.

 

Claro que a experiência deve interessar mais a arquitetos, urbanistas e apaixonados da área, mas o chamado “público em geral” também tem marcado presença. Posso entender: é arte, é do Guggenheim e, principalmente, é de graça!

 

Ah, sim, é só até 16 de de outubro. Depois, a instalaçäo inicia uma tournê de cinco anos ao redor do mundo.

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