Picasso, agora bem mais perto!

Como minha dica de Picasso em Connecticut não deu o menor Ibope, mexi os pauzinhos para que trouxessem o catalão também para New York  :lol:  . Fato é que a Frick Collection exibe até 8 de janeiro “Picasso Drawing’s 1890-1921: Reinventing Tradition” com três décadas de desenhos cobrindo os períodos rosa e azul do famoso pintor. Se uma simples visita à Frick já valia a pena pela concentração de arte que a mansão oferece, com Picasso o programa se torna mais maravilhoso ainda.

 

Segundo a imprensa do setor, é a maior exposição do artista na cidade em mais de vinte anos. São 61 desenhos, começando com a primeira obra que ele teria assinado… aos 9 de anos de idade. A partir daí, contando com o total apoio do pai – um pintor que  nunca decolou – o talento de Picasso desabrocha e, na exposição, a gente pode acompanhar esse fantástico crescimento em direção à genialidade. Uma conquista que, olhando a timeline das obras, parece muito fácil e natural. Mas que, como todos sabemos, foi extremamente suada. Falta de recursos, fome, incompreensão, tudo jogando contra. Mas o mestre felizmente resistiu.

 

Se você passar por New York até 8 de janeiro, coloque a Frick no programa. É bem mais perto do que Connecticut, é ao lado do Central Park, é um lugar maravilhoso, é recheado de obras-primas, e é onde 61 desenhos do mestre dos mestres vão estar expostos até a primeira sexta-feira de janeiro. Tempo suficiente para você não deixar passar a oportunidade. Tá bom, não vou insistir mais. Só vou lembrar que, para chegar até a Frick, enfrentei fila, bloqueio de ruas e a Spansih Heritage Parade se arrastando pela 5a. Avenida. Bom, pelo pelo menos era Spanish como Picasso…

 

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Faraó faz sabático em New York.

Na verdade, um longo sabático: 10 anos! É esse o tempo que o faraó Amenemhat II vai ficar hospedado no Metropolitan Museum of Art. A estátua dele, é claro. Que pesa mais de 9 toneladas! Morar mesmo, o Amenemhat mora em Berlim. Mas, como o museu lá vai passar por uma longa reforma, despacharam a estátua para New York. A troco de uns trocados, é claro.

 

Imaginem a operação: mover nove toneladas de um museu para o outro. Mas deve ter sido bem mais fácil do que 4.000 anos atrás, quando carregaram o bloco de pedra (que era bem mais pesado!) 800 km da pedreira até o “studio” do escultor.

 

Amen, como ele seguramente vai ser chamado daqui a pouco tempo, já está instalado no Great Hall do Metropolitan, mas deverá mudar daqui em um ano para mais perto dos parentes (na famosa galeria egípcia do museu).

 

Então, anotem aí. Na próxima ou em qualquer outra viagem dos próximos dez anos, se faz mister ( :wink: ) dar um pulinho no Metropolitan e conhecer o atlético faraó que reinou há milhares de anos mas continua forte e rijo.

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Guggenheim on the go.

De uma parceria da BMW (que seguramente entrou com a grana)  com o Guggenheim (que entrou com o brain :wink: ), nasceu o BMW Guggenheim Lab, que o museu descreve como sendo uma combinação de inteligência, pesquisa e participação comunitária.

 

Afinal, do que se trata? Um momento. Primeiro, o endereço: um terreno baldio (bonita essa palavra) na esquina da Houston com a 2a. Avenida. Agora, vamos lá: trata-se de uma instalação, termo que a gente usa quando não sabe muito bem como definir a coisa.

 

Mas o objetivo da instalação/exposição/ou o que seja é muito claro: proporcionar uma “exploração interativa dos desafios que enfrentam hoje as grandes cidades do mundo”. Parece muito cabeça? Fique tranquilo que não é, não. As atividades são lúdicas, como o chamado Urbanologia, onde você aprende como funcionam as mega-capitais e faz sugestões sobre o que pode/deve ser melhorado.

 

Claro que a experiência deve interessar mais a arquitetos, urbanistas e apaixonados da área, mas o chamado “público em geral” também tem marcado presença. Posso entender: é arte, é do Guggenheim e, principalmente, é de graça!

 

Ah, sim, é só até 16 de de outubro. Depois, a instalaçäo inicia uma tournê de cinco anos ao redor do mundo.

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Fila: uma mostra sem, uma loja com.

New York Public Library

 

Depois de adiar inúmeras vezes, neste final de semana fui à exposição dos 100 anos da New York Public Library. Meu trajeto, um ônibus crosstown da 1a. até a 5a. Avenida, dois quarteirões a pé até o ponto da 5a.,  e dali  um novo ônibus até a rua 40. Por que estou contando isso? Aguardem.

Na frente da biblioteca, dois casais de competentíssimos dançarinos dando uma canja para os passantes – todos eles (os passantes, é claro) clicando suas cameras fotográficas ou celulares. Curti um pouco e entrei.

 

 

A exposição acontece no térreo e não custa um único penny! Nenhuma fila. E pouca gente circulando. Tão pouca que, na primeira sala que entramos, estávamos sozinhos! Isso, é claro, só facilitou a fruição (uau!) da mostra. Coisas maravilhosas nas quatro áreas de que se compõe a exposição, todas elas – é claro – ligadas à escrita. Dos tijolinhos de argila dos sumérios ao MacBook do Steve Jobs.

Não há item que não atraia a atenção, mas obviamente alguns são as estrelas da mostra: a bíblia do Gutemberg; os diários e outros objetos do Jack Kerouac; o auto-retrato do Diego Rivera; a 1a. carta que Colombo escreveu da América; a bengala que Virginia Wolf deixou na margem do rio em que se suicidou; e por aí afora. Emocionante. Em pouco mais de uma hora, você dá um mergulho em alguns milhares de anos de história. E pode ter uma cópia de praticamente tudo no site.

 

Desculpem o deslumbramento, mas acho incrível poder ter acesso a tudo isso – ainda mais “de grátis”. E sem sair do corredor de compras tão venerado pelos turistas do mundo inteiro: a 5a. Avenida. Mas, apesar de ser grátis e ter uma localização privilegiada, por que é que a mostra estava tão vazia? Certamente porque as pessoas têm outras prioridades. Na ida, enquanto eu caminhava de um ponto de ônibus para o outro, não pude deixar de notar a longa e constrangedora fila da Abercrombie. Sem dúvida,  eu devo ser muito careta. Sumérios?! Virginia Wolf?! Parece que, pra muita gente, muito melhor é fazer fila pra uma t-shirt!…

 

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É muita arte e pouco tempo.

O maridão fica sempre me lembrando que o personagem do livro O Museu da Inocência (que ele não cansa de elogiar) visitou mais de 5.000 museus. Vou escrever por extenso: cinco mil! Meu Deus, pra eu conseguir chegar perto disso, a medicina teria que esticar e muito a duração da vida humana.

Mas, exageros à parte, é sempre bom “descobrir” um novo museu e planejar uma ida assim que possível. Dizendo dessa maneira, parece que eu desenterrei alguma instituição desconhecida em algum ponto remoto da terra. Nada disso, estou falando de Baltimore, um tiro de espingarda aqui de New York (como se costumava dizer antes da arma de fogo se tornar politicamente incorreta). Mais exatamente, o Baltimore Museum of Art que, em 1949, foi agraciado com o acervo das milionárias irmãs Cone. E é essa Cone Collection que o Jewish Museum está exibindo aqui em New York. O lote completo se compõe de mais de 3.000 peças, das quais 500 são obras de Matisse! E depois Picasso, Cezane, Gauguin, Van Gogh e por aí afora.

Elas compravam tanto que acabaram se tornando íntimas dessa turma toda, inclusive com direito a retrato. O de Claribel, por exemplo, foi pintado por Picasso. No Jewish Museum, a exposição vai até 25 de setembro e, além das obras, você também pode visitar digitalmente o antigo apartamento das duas milionárias – onde tinha arte saindo pelo ladrão. Depois de 25 de setembro, é só dar um pulinho em Baltimore. E já que você está lá, visite também a casa/museu do Edgar Allan Poe. É sempre mais museu em direção à meta de cinco mil lá do início…

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Duas novas obras de arte no Whitney Museum: café e apple pie.

Natureza viva no Whitney.

 

O badalado restaurateur Danny Meyer (do Union Square Cafe e do Modern) acaba de abrir o Untitled, no Whitney Museum. Carros-chefe do cardápio, café e apple pie. Dito assim, não parece nada. Mas tem o seguinte: o café é da respeitadíssima marca Stumptown; e as tortas, salted caramel apple, vêm do Brooklyn… É a primeira vez que a Four & Twenty Blackbirds (que arrasta multidões de aficionados para o borough) “vende pra fora”. E não vai ser só apple, não. O sabor vai mudar com as estações.

 

Bem, isso, como eu dizia, é o carro-chefe. Mas têm os salgados também. Menu de coffee-shop, é claro, mas de um senhor coffee-shop. De burgers (tô fora) a matzo-ball soup (tô dentro!). Breakfast, almoço, brunch e, dentro de pouco tempo, também jantar.

 

Então, fica anotado. Whitney Museum agora com o Untitled, uma “instalação” pra visitar antes ou depois da exposição. Aliás, quem for até 10 de abril, vai ter a oportunidade de ver Modern Life: Edward Hopper and his Time. Linda! Quem for depois, vai perder o Hopper. Mas as apple pies estarão lá!

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Museu da Imagem em Movimento: o maior movimento em Astória.

Imagem estática do Museum of the Moving Image...(foto gentilmente surrupiada do site do museu).

Tudo começou quando o cinema aprendeu a falar. A Paramount Pictures criou um complexo de produção em Astoria, mas a coisa foi rapidamente para o brejo. É que toda a patota da assim chamada 7a. arte parece que combinou de mudar pra California. Bom, em 1988 parte das instalações acabaram dando lugar ao Museu da Imagem em Movimento que passou a mostrar os bastidores da produção cinematográfica. O problema é que, por falta de dinheiro ou por falta de atenção, o museu envelheceu mais do que as imagens que ele exibia.

Agora corta para 2011: com uma injeção de verba e de vontade de fazer, o novo Museum of the Moving Image abre suas portas com um acervo enriquecido e com toda a tecnologia expositiva (existe a expressão?!) que você possa imaginar. Segundo os curadores, a idéia é resumir, num edifício, a essência de um mundo cada vez mais cercado de imagens: do cinema à televisão ao Ipad ao Iphone ao monitor do taxi, da poltrona do avião, etc, etc.

Seja qual for a explicação, a visita vale a pena. Tudo o que tenha relação com a imagem em movimento (e que valha a pena ser mostrado) está lá. Exemplo: a dentadura que Marlon Brando usou no Poderoso Chefão. Precisa dizer mais?

Sim. Talvez lembrar que Astória, onde fica o museu, possui a maior concentração de brasileiros de New York City. Quer dizer, você sempre vai encontrar um arroz com feijão pra repor as energias…

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Guitarras invadem New York.

Guitarras Uptown e Downtown.

Dia 13 de fevereiro, o MOMA inaugura a exposição “Picasso: Guitars 1912-1914″. São mais de 70 peças, entre colagens, desenhos, pinturas e fotografias. Por que fotografias? Porque algumas obras que Picasso criava eram tão frágeis, tão efêmeras, que o mestre as fotografa como registro. Segundo o press release do museu, o público ter a oportunidade de ver quadros que jamais colocaram os pés (ou as cordas, no caso) nos Estados Unidos. O mais famoso deles, o Violino Pendurado na Parede, de 1913, que pertence ao Museu de Berna, na Suíça.

 

Coincidentemente (ou não!), dia 9 o Metropolitan Museum também inaugura uma exposição que tem a guitarra como tema: “Guitar Heores: Legendary Craftsmen from Italy to New York”. Como o nome faz ver, não são quadros mas os instrumentos propriamente ditos.

 

Portanto, é só escolher: no uptown,  os (quase) anônimos artesãos que têm aperfeiçoado o instrumento ao longo do tempo; no midtown, o mais badalado artista plástico do século XX. Ou ver os dois, por que não?

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