Indo pra Rússia de metrô.
Como todo mundo sabe, o metrô de Moscou é um dos mais bonitos do mundo. Já o metrô que me leva a Brighton Beach, a Rússia local, está longe de ser uma Brastemp. Mas o que fazer? Pelo menos sei que em 1 hora chego de midtown a esse que é um dos bairros étnicos mais característicos de New York.
Estive lá hoje. E repetiu-se a sensação de que a viagem não acontece apenas no espaço mas também no tempo: uma espécie de volta à infância. Primeiro, por causa da língua, com a qual ainda consigo me fazer entender. E segundo, por causa dos cheiros. O que me faz chegar ao objetivo de minha ida ao local: comprar algumas arrobas de pelmeni, um dos pratos russos com os quais cresci.
Ocasião em que, obviamente, aproveitei para demonstrar meus vastos conhecimentos do idioma de Tolstoi. Até que desta vez não fui mal, pois só não consegui me lembrar da quantidade (alguém aí sabe como se fala doze em russo?).
Enfim, pra quem se interessar, Brighton Beach fica no Brooklin, pertinho de Coney Island. O bairro já foi chamado de Little Odessa, graças à grande concentração de ucranianos. Com o tempo, aos ucranianos juntaram-se russos, poloneses, armenos, turcos, e outras etnias. São poucas ruas, a principal delas se estendendo embaixo de um big worm (quer dizer, de um minhocão). Além das inúmeras lojas de alimentos e dos letreiros ilegíveis, o que caracteriza o pedaço é a poluição visual.
Pra fugir dessa man-made-ugliness, basta andar duzentos metros e encontrar o mar. E se por acaso você estiver com saudade do Guarujá, Brighton Beach não só tem praia como também calçadão. Mas o que vale mesmo a visita, apesar da feiúra do bairro, são os restaurantes étnicos – vários deles recomendados pelos mais respeitados guias do gênero.
Aqui eu ia emendar um comentário recomendando a famosa peça de Neil Simon que acabou de voltar para a Broadway: Brighton Beach Memoirs. Como disse, ia recomendar. Depois de uma semana, a peça desse monstro sagrado do teatro americano saiu de cartaz… Agora, se você tiver mesmo interesse, só alugando a versão cinematográfica de 1968. Ou indo ao local onde tudo aconteceu.
Pra terminar, uma informação familiar: a beneficiária principal desta minha incursão a Brighton Beach aterrissa em NY dia 25 de dezembro (tal qual Papai Noel). Quer dizer, a filhota, também fanática de pelmeni, vem passar as festas comigo. Se ela não ler esse blog, o pelmeni vai ser uma surpresa. Se o ler, a surpresa vai ser minha: sabendo desde já da iguaria, imaginem o apetite com que ela vai chegar…
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