Estou vendendo o peixe como comprei – e já, já vocês vão ver que a palavra “peixe” cai como uma luva nessa história. Enfim, o “causo” é o seguinte: por causa do alto grau de analfabetismo reinante no pedaço (alguns séculos atrás, é claro), as construções varsovianas eram identificadas através de símbolos desenhados ou esculpidos nas paredes externas. A casa de fulano tinha um ramo. A casa de sicrano, uma águia. A casa de beltrano, uma figura mitológica. Etc, etc (mesmo porque não sei o que vem depois de beltrano).
Com o tempo, coisa muito natural que acontecesse, os símbolos passaram a identificar atividades (algo como aqueles cilindros meio psicodélicos que, séculos depois, virariam cartão de visita dos barbeiros americanos). Mas voltemos a Varsóvia: apenas ouvida a história, o que é que o guia mostra como exemplo? Uma casa em frente com um imenso pelicano incrustado na parede – um símbolo de caridade cristã que passou a identificar os médicos da cidade. Qualquer problema de saúde, bastava procurar uma casa com a ave de papo grande…
Achei divertida a coisa e, como um neurônio puxa o outro, lembrei-me imediatamente (na verdade, 8 horas depois, durante o banho) de um hospital de Bruges com o mesmo pássaro na parede: o St. Johns Hospital. Em seguida, girei um pouco por Varsóvia pra ver que outro bicho ia dar. E não é que deu! Fotografei vários símbolos, os mais interessantes dos quais eu posto aqui.
Mas não me perguntem o que significam. Nós só ouvimos o exemplo do pelicano – e assim mesmo de bicões (ai!) porque não fazíamos parte do grupo…




















