For Every OneSempre que se aproxima o Natal – e a cidade começa a se vestir a caráter – me vem à cabeça a Teoria do Eterno Retorno de Nietzsche. Usada aqui para fins muito mais mundanos, é claro. A idéia de que tudo se repete, mesmo que de maneira ligeiramente diferente. A decoração das lojas. A iluminação das ruas. As indefectíveis músicas natalinas. As feirinhas. As ofertas. O mood das pessoas. Etc. Etc. É tudo lindo, é claro, mas não deixa de ser a repetição da repetição. Os famosos ciclos de que se compõem nossas vidas. Nossa, como estou filosófica hoje!
Tudo isso para dizer que, não importa o fim de ano que você escolher para vir a New York, na big picture ele vai ser sempre igual ao anterior e ao próximo. Onde eu quero chegar com isso? Simples: minha sugestão é que você venha a New York, viva ou reviva o fim de ano, mas… procure viver também uma experiência irrepetível. Nem que seja apenas para dizer: eu estava lá.
O que seria uma experiência irrepetível? Uai, uma experiência que não se repete mais e que portanto não vai estar aqui quando você vier o ano que vem ou o outro ou o outro ainda. Onde encontrá-la? Só depende de você e do google…
Pode ser um cometa que só cruza a cidade a cada cem anos, como também pode ser o Al Pacino na Broadway (emocionante). Ou uma canja dos Rolling Stones em plena rua (vi também). As alternativas são muitas e, é claro, se concentram mais nos palcos. Não o atorzinho ou a atrizinha da hora, mas sim os grandes nomes: Philip Seymour-Hoffman, Angela Lansbury, Frank Langella, James Earl Jones ou, caso recente, a Barbra Streisand que depois de meio século presenteou o Brooklyn, seu bairro natal, com um concerto de mais de três horas (esse eu perdi…). Sem falar nas mostras que incluem celebérrimas obras de arte de coleções particulares: telas que a gente nunca viu nem vai ver de novo.
Tudo isso, é claro, é só uma opinião minha, mas acho que faz sentido. Torna a coisa mais rica. Desbanaliza (nem sei se existe a palavra…) a experiência da viagem. Mais ainda porque as viagens estão ficando cada vez mais frequentes e correm o risco, portanto, de se tornar cada vez mais banais.
Repito: são considerações de uma tarde de domingo, quando lá fora a 5a. Avenida se enfeita, as Rockettes se aquecem, os galhos das árvores ganham luzinhas, a bola de Times Square começa ser lustrada.. tudo como antes, tudo como sempre…












