October 22nd, 2009 | Posted by abrindoobico

Onde tudo aconteceu
Como a história abaixo merecia ser contada, pedi que o maridão a escrevesse.
Todo mundo conhece a história de Diógenes, filósofo grego do sec. 4 AC: em plena luz do dia ele costumava caminhar por Atenas, com uma lanterna nas mãos, à procura de um homem honesto. Seguinte, Diógenes: hoje encontrei um.
Chegando a Paris no meio da tarde, tomei um taxi do aeroporto pra Saint Germain. E na hora de pagar a corrida – aflito com o congestionamento que se formava na rua estreita – desci rápido e esqueci minha mochila no banco! E, dentro da mochila, todos meus documentos, cartões de crédito, cartões de débito, agenda, equipamentos eletrônicos, o diabo.
Ao dar pela coisa, obviamente quando o taxi já tinha desaparecido de vista, quase tive uma síncope. Pior de tudo (sempre pode ser pior) é que não havia pedido recibo – o que eliminava qualquer tentativa de localizar o veículo. Mas, no desespero, tentei fazer alguma coisa com a ajuda de dois amigos, embora o esforço me parecesse meio inútil: ligar para uma cooperativa de taxi (sem nenhuma garantia de que fosse a do carro em questão) e perguntar sobre um Toyota preto que saíra 1 hora atrás do aeroporto de Orly em direção a Saint Germain.
Feitos os dois telefonemas, me coloco diante do prédio à espera de um milagre: a cooperativa localizar o carro, o motorista se interessar em voltar, a mochila ainda estar lá, etc, etc.
Bom, enquanto penso em tudo isso, toca meu celular americano! Do outro lado da linha, o motorista (falando um pouco de inglês e um pouco de francês) explica que encontrou minha mochila e revirou os documentos até achar meu número de telefone! Aleluia. Em dez minutos, chega ele com a mochila nas mãos.
E conta sua história: depois de nos deixar, havia levado um novo passageiro até um hotel de Montparnasse. Assim que o passageiro desceu, ele (motorista) descobriu a mochila. Ato contínuo, estacionou o taxi e correu para o hotel na tentativa de devolver a bolsa para o distraído passageiro. Que felizmente a recusou, dizendo não ser de sua propriedade. Diante disso, não restava outra saída ao motorista senão “fuçar” nos documentos e encontrar meu telefone.
Bem, agradeci-o 50 vezes e procurei recompensá-lo pelo esforço. Depois de despedirmo-nos entre sorrisos, entrei no prédio. Olhei rapidamente a mochila (não o fizera no momento) e me pareceu tudo em ordem.
Passados 20 minutos, decido sair para a rua. E quem encontro na porta? De novo, o motorista! Para melhor vasculhar na mochila, ele havia retirado uma pasta de plástico e colocado no banco. Dentro dela, eu guardava uma série de documentos e também meu talão de cheques… Ele se desculpou por sua falha (imaginem!) e disse que agora não faltava mais nada.Novos apertos de mãos e agradecimentos.
Com a pasta na mão, reentrei no prédio e não pude deixar de pensar em Diógenes. Não sei que resultado o filósofo teve em Atenas, mas hoje, em Paris, eu encontrei um homem honesto.
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