The mega book store is dead. Long live the small book store.

Nunca fui fã das mega-livrarias: as Barnes & Noble e Borders da vida. Foi a expansão delas que levou para o brejo centenas de pequenas e bem fornidas lojas. Verdade que, em New York, algumas ainda resistem bravamente. Como a Shakespeare & Co. Ou a Crawford Doyle, estrategicamente ao lado do Eat… Mas infelizmente são poucas as que se safaram rolo compressor das grandes cadeias.

 

Agora, vejam vocês, a história toma outro rumo. As lojas gigantes desaparecem uma depois da outra; e as pequenas e independentes botam as manguinhas de fora. Não que eu esteja feliz com o fechamento das gigantes; afinal, é sempre uma livraria que se vai. Mas fico feliz com a possibilidade de encontrar novas lojas, com personalidade própria, em vez da mesmice que eram as já citadas mastodônticas.

 

Bom, tudo isso para dizer que na Prince Street (exato, no SoHo, pertinho do Balthazar e  de tantos outros pontos de atração turística) existe a McNally Jackson Books. Eu sei que parece marca de whisky, mas é uma das livrarias mais descoladas do pedaço. Ou do pedação que é Manhattan.

 

Por quê? Bom, começa com a seleção de livros e revistas. O crème de la crème das várias categorias: fiction, non fiction, essays, poetry, travel, design, photography, etc, etc. E continua com o bom astral, o café (pequeno, é verdade) mas com Wi-Fi, e o subsolo com espaço para frequentes palestras e tardes/noites de autógrafo.

 

Todo mundo que vem a New York vai ao Soho, não é? Então, depois ou no meio das inevitáveis compritchas e passeios, dê uma passada na McJ. Você pode simplesmente respirar um ar mais cult; pode comprar um livro; ou ainda, surprise!,  pode imprimir em minutos o livro que você sempre quis publicar: basta trazê-lo num pen-drive. Mas, olhe lá, não exagere no número de cópias! Afinal, depois de ter corrido o SoHo, imagino que sua mala já esteja um pouquinho comprometida…

 

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Davi continua desafiando Golias. Ainda bem!

Corajosamente aberta.

Apesar das Barnes & Noble da vida; apesar do Kindle; apesar do Ipad; apesar do fechamento de ícones como a Madison Avenue Bookshop ou a Gotham Book Mart, as pequenas e independentes livrarias de New York continuam, não só alive and kicking, como também pipocando em vários pontos. A mais festejada delas, que (falha imperdoável!) ainda não conheço, é a Greenlight Bookstore, na badaladíssima Fulton Street do Brooklyn. Com design do arquiteto Frederick Tang, a Greenlight ainda tem a vantagem de estar cercada de autores por todos os lados (exato, quase todos moram no pedaço).

As outras livrarias também não ficam para trás em charme e conteúdo: a Book Culture, na Broadway com a 14; a Posman Books, no Chelsea Market (filial da da Grand Central Station); a Idlewild, na 19 com a 5a., especializada (olhaí, pessoal!) em livros de viagem que não têm nada a ver com os surrados guias que a gente encontra nas mastodônticas B&N ou Borders; a P.S. Bookshop, que fica “embaixo” da Brooklyn Bridge (Front Street); e uma pá de outros nomes.

Vale mencionar também duas ou três honrosas sobreviventes da época em que o destino das pequenas livrarias parecia ser o inapelável fechamento: a Crawford Doyle, que fica a dois quarteirões do Eat (quer dizer, você pode fazer felizes seu paladar e seu intelecto); a Shakespeare, na Lexington e também na Broadway; e a St. Marks (talvez minha preferida) na 3a. Avenida, entre a 8 e a 9.  E obviamente a Strand, que dispensa apresentação.

Claro que a Apple e a Century 21 vão continuar a ser os principais destinos das hordas e hordas de turistas que despencam na cidade. Mas, podendo abrir um espacinho na agenda, acho que vale a pena uma visita a uma livraria independente. Claro que não dá para eliminar os golias do livro; mas os davis felizmente vão continuar incomodando.

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