A arte de viajar. Ou melhor, a arte viajando.

La Grande Jatte, Georges Seurat. Foto gentilmente surrupiada do Google.

Estava eu em Chicago batendo ponto no Art Institute, mais exatamente nas salas  dedicadas ao Impressionismo europeu. Um respeitável acervo, diga-se de passagem, a começar pela obra-prima do Seurat: La Grande Jatte. Mas a ideia aqui não é pontificar sobre arte, terreno no qual sou apenas amadora (nos dois sentidos…) e sim falar de uma experiência que muita gente já viveu. Portanto, vamos recomeçar: estava eu lá, quando percebo que falta um quadro na parede. E, no centro do espaço vazio, a notinha esclarecedora: obra emprestada para a Frick Collection de New York. Bem, eu tinha estado na Frick Collection de New York alguns dias antes e tinha visto o quadro lá. Era o Acrobats at the Cirque Fernando, do Renoir.

 

Quantas vezes isso já não aconteceu com os milhares, está bem, as centenas, OK, as dezenas de leitores? A verdade é que as obras de arte viajam mais do que nossa turminha. E a gente fica cruzando com elas nas esquinas, quer dizer, nos museus da vida. Os Impressionistas, então, não param em casa! Onde quer que você vá, tem um deles dando uma canja no local.

 

E já que estamos no assunto, digníssima de nota a exposição da Frick Collection: Renoir, Impressionism, and Full-Lenght Painting. Quadros do mundo inteiro passando uma temporada em New York. Até 13 de maio, na verdade. Portanto, se você decidir dar um pulo ao Musée D’Orsay nesse período, vai encontrar dois Renoirs a menos. Um a menos na National Gallery de Londres… e assim por diante.

 

E a gente achava que viajava muito…   :wink:

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Preparem-se: a moça do brinco de pérola está vindo para New York.

Foto delicadamente surrupiada do Wilkipedia.

Ela só chega o ano que vem. No fim do ano, para ser mais exata, mas o buxixo já começou. Afinal, faz mais de 30 anos que ela passou por aqui. Vinda da Holanda, onde é conhecida como a Gioconda do pedaço. Sua “casa” é a Royal Picture Gallery Maurutshuis, em Haia, embora todo mundo ache que ela “more” no Rijksmuseum.

 

Embora esteja na crista da onda há vários séculos, foi só a partir de um famoso best seller, no final dos anos 90, que ela passou a bombar de fato. E quando o livro virou filme, então, foi um deus nos acuda. Ainda mais que tinha o gracinha do Colin Firth (suspiros…). Ah, sim, e a Scarlett Johansson fazendo o papel da própria. Quer dizer, fazendo o papel da moça do brinco.

 

Estou falando, é claro, do quadro Girl with a Pearl Earring, que a Frick Collection deverá exibir a partir de 22 de outubro de 2013. E junto com a obra-prima de Vermeer, vem também Rembrandt e outros mestres. São 34 quadros que passam antes por San Francisco (de janeiro a junho) e Atlanta (de junho a setembro).

 

Outubro de 2013 ainda parece muito longe, não é? Mas eu já começaria a pensar em ingressos, pois a moça do brinco de pérola promete filas intermináveis. E com fila eu não “brinco”. Ai…

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Em cima, Rembrandt. Embaixo, boliche.

Foto surrupiada do NYT (Fred R. Conrad)

Não, nunca fui. Mas tenho muita vontade de conhecer. Sabe a Frick Collection? O “museu” descoladíssimo da 70 com a 5a.? Então, no subsolo da mansão – aliás, construída pelo mesmo arquiteto que assina a New York Public Library – o proprietário (Henry Clay Frick) mandou ver 2 pistas de boliche. Isso lá nos idos de 1914. Diz a história que ele gastou $ 850.00 com a construção; e $ 100.00 com as bolas – que só tinham dois furos, vejam vocês!

Mas vamos ao que interessa: o que interessa mesmo é conhecer o local, certo? Então, só que não pode. O subsolo da Frick Collection, por ordem do Fire Department, está fechado para o público. Um espaço maravilhoso, com piso de pinho e maple (como se fala maple em português?!), que muita gente teria curiosidade de conhecer. Eu, pelo menos, sim.

Também surrupiada. Esta é a entrada

E não é que, às vezes, eles dão uma canja? São poucas, mas acontecem por ocasião de alguma manifestação de open house. A última delas eu perdi, mas continuo atenta. Quem sabe um dia, além dos Rembrandt, Vemeer, Renoir, El Greco, eu também não consiga ver o que está por baixo de tudo isso. Pra quê? Pra dizer que vi, uai!

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