A cidade-luz, à primeira luz da manhã.

Com vocês, la lumière.

Frequentemente… tá bom, às vezes… oquei, muito raramente acordo cedinho em Paris e saio pra fotografar. Cidade vazia, ruas lavadas, sol nascendo, essas coisas óbvias que podem dar uma mãozinha (na verdade, uma mãozona) no resultado dos meus cliques. Caminho a esmo até que a fome me obrigue a voltar correndo.

E de fato a fome vem com tudo, pois é esse o período do dia em que a cidade se reabastece. E dá-lhe reabastecimento: caminhões de verduras, caminhões de carnes, caminhões de queijos, caminhões de doces, caminhões de vinhos, etc, etc.

Cerveja chegando na hora do café au lait.

Então, para ilustrar esse post, escolhi aleatoriamente (portanto, sem nenhuma segunda intenção) um desses caminhões… Ah, e me lembrei de uma história: a primeira vez que vi essa cerveja, comprei correndo uma latinha. De volta a Roma, coloquei-a toda feliz no bar da sala – mas minha alegria só durou até a manhã seguinte. Dando pelo desaparecimento da dita cuja, perguntei à diarista onde estava a cerveja. E ela respondeu na lata: ué! tava vazia, eu joguei fora!

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Uma exposição fora do circuito MOMEGU (Moma-Metropolitan-Guggenheim)

Museufachada
Chegando a NY, todo mundo fica logo sabendo: o Lucien Freud está no Metropolitan; o Frank Lloyd Wright está no Guggenheim; e o Armout Mik está no MOMA.

Mas muita gente se esquece (talvez por falta de tempo) de que lá no West Side, escondidinho entre o Museu de História Natural (alguém ainda curte dinossauros?) e o Lincoln Center, fica o New York Historical Society.

Este museu pequeno, mas de grande importância no cenário cultural da cidade, apresenta este mês as fotografias do chileno Camilo José Vergara, numa mostra denominada “Harlem, 1970-2009″. São apenas 100 fotos, um punhado das quais explorando o tema pelo qual o autor se tornou conhecido: testemunhar a passagem do tempo através da chamada “street photograph”. Vergara fotografou os mesmos lugares durante décadas, registrando pacientemente a transformação por que tem passado  o Harlem, um dos boroughs mais coloridos de NY. A construção ou o novo uso de um imóvel; a metamorfose contínua das fachadas; a deterioração da propriedade; sua eventual demolição; o indefectível estacionamento ocupando o espaço vazio; até a construção de um novo imóvel.  Esta sua insistência em clicar sempre as mesmas fotos, em intervalos regulares de tempo, rendeu-lhe, entre outros, dois grandes ensaios de Arquitetura Antropológica: “The New American Ghetto” e “American Ruins”.

quadro
O trabalho ganha ainda mais valor quando se lembra que as fotos foram feitas  durante o horário de almoço do day-time-job do autor. Sobre suas motivações, Vergara afirma ter uma necessidade física de fazer esse tipo de foto-documentário: focar a mudança constante o distrai de suas ansiedades e, ao mesmo tempo, o conecta com uma cultura da qual ele – como imigrante – se sente afastado.

A única nota negativa é que a exposição, apesar de reunir fotos belíssimas, dedica pouco espaço ao tema pelo qual Vergara é mais conhecido: a transformação do tecido urbano. Mas, para quem curte fotografia, arquitetura ou quer apenas conhecer um novo museu, vale a pena.

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