Picasso no pedaço.

Não é em Manhattan. Não é em New York. Na verdade, não nem mesmo no estado de New York. É em Greenwich, Connecticut. Mas vale a pena porque você acaba matando, coitadinhos!, dois coelhos com uma só paulada (pois cajadada me parece meio antigo).

 

Como o título diz, é uma exposição do Picasso. Para ser mais exata, desenhos do Picasso. No Bruce Museum, na citada simpática cidadezinha de Greenwich. Fiquem tranquilos que é bem perto. De carro (saída 3 da I95) ou de trem da Grand Central (Metro North). Um dos municípios mais tradicionais do país (1642), Greenwich  vale o passeio. Ainda mais podendo juntar com uma mostra do mestre Picasso.

 

Agora a exposição. Como disse, são desenhos. Feitos entre 1933 e 1934 quando Picasso, já com 45 anos, estava gamado (ai, traí minha idade) por Marie-Thérèse, que tinha apenas 17. E, além de tudo, ele era casado. Com uma dançarina russa, de quem nunca se divorciou para não ter que dividir o patrimônio. Já imaginaram o patrimônio do rapaz?!

 

Bem, os desenhos. O tema é escultura, gênero pelo qual o mestre tinha começado a se interessar. E o estilo é clássico: Picasso tinha visitado recentemente Roma, Nápoles e Pompéia. Outra curiosidade é que ele teria dado essas gravuras (quer dizer, as matrizes) em troca de seus primeiros trabalhos que ainda estavam com o marchand Vollard, que o tinha ajudado no início de carreira. Daí o nome da coleção: Picasso’s Vollard Suite: The Sculptor’s Studio.

 

Mas o mais importante é que, com história ou sem história, a visita vale pena. Tá bom, não é em New York. Mas pode demorar menos do que um cross town quando está acontecendo alguma coisa na ONU. E o que tem acontecido de coisa na ONU

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Faraó faz sabático em New York.

Na verdade, um longo sabático: 10 anos! É esse o tempo que o faraó Amenemhat II vai ficar hospedado no Metropolitan Museum of Art. A estátua dele, é claro. Que pesa mais de 9 toneladas! Morar mesmo, o Amenemhat mora em Berlim. Mas, como o museu lá vai passar por uma longa reforma, despacharam a estátua para New York. A troco de uns trocados, é claro.

 

Imaginem a operação: mover nove toneladas de um museu para o outro. Mas deve ter sido bem mais fácil do que 4.000 anos atrás, quando carregaram o bloco de pedra (que era bem mais pesado!) 800 km da pedreira até o “studio” do escultor.

 

Amen, como ele seguramente vai ser chamado daqui a pouco tempo, já está instalado no Great Hall do Metropolitan, mas deverá mudar daqui em um ano para mais perto dos parentes (na famosa galeria egípcia do museu).

 

Então, anotem aí. Na próxima ou em qualquer outra viagem dos próximos dez anos, se faz mister ( :wink: ) dar um pulinho no Metropolitan e conhecer o atlético faraó que reinou há milhares de anos mas continua forte e rijo.

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Guggenheim on the go.

De uma parceria da BMW (que seguramente entrou com a grana)  com o Guggenheim (que entrou com o brain :wink: ), nasceu o BMW Guggenheim Lab, que o museu descreve como sendo uma combinação de inteligência, pesquisa e participação comunitária.

 

Afinal, do que se trata? Um momento. Primeiro, o endereço: um terreno baldio (bonita essa palavra) na esquina da Houston com a 2a. Avenida. Agora, vamos lá: trata-se de uma instalação, termo que a gente usa quando não sabe muito bem como definir a coisa.

 

Mas o objetivo da instalação/exposição/ou o que seja é muito claro: proporcionar uma “exploração interativa dos desafios que enfrentam hoje as grandes cidades do mundo”. Parece muito cabeça? Fique tranquilo que não é, não. As atividades são lúdicas, como o chamado Urbanologia, onde você aprende como funcionam as mega-capitais e faz sugestões sobre o que pode/deve ser melhorado.

 

Claro que a experiência deve interessar mais a arquitetos, urbanistas e apaixonados da área, mas o chamado “público em geral” também tem marcado presença. Posso entender: é arte, é do Guggenheim e, principalmente, é de graça!

 

Ah, sim, é só até 16 de de outubro. Depois, a instalaçäo inicia uma tournê de cinco anos ao redor do mundo.

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Fila: uma mostra sem, uma loja com.

New York Public Library

 

Depois de adiar inúmeras vezes, neste final de semana fui à exposição dos 100 anos da New York Public Library. Meu trajeto, um ônibus crosstown da 1a. até a 5a. Avenida, dois quarteirões a pé até o ponto da 5a.,  e dali  um novo ônibus até a rua 40. Por que estou contando isso? Aguardem.

Na frente da biblioteca, dois casais de competentíssimos dançarinos dando uma canja para os passantes – todos eles (os passantes, é claro) clicando suas cameras fotográficas ou celulares. Curti um pouco e entrei.

 

 

A exposição acontece no térreo e não custa um único penny! Nenhuma fila. E pouca gente circulando. Tão pouca que, na primeira sala que entramos, estávamos sozinhos! Isso, é claro, só facilitou a fruição (uau!) da mostra. Coisas maravilhosas nas quatro áreas de que se compõe a exposição, todas elas – é claro – ligadas à escrita. Dos tijolinhos de argila dos sumérios ao MacBook do Steve Jobs.

Não há item que não atraia a atenção, mas obviamente alguns são as estrelas da mostra: a bíblia do Gutemberg; os diários e outros objetos do Jack Kerouac; o auto-retrato do Diego Rivera; a 1a. carta que Colombo escreveu da América; a bengala que Virginia Wolf deixou na margem do rio em que se suicidou; e por aí afora. Emocionante. Em pouco mais de uma hora, você dá um mergulho em alguns milhares de anos de história. E pode ter uma cópia de praticamente tudo no site.

 

Desculpem o deslumbramento, mas acho incrível poder ter acesso a tudo isso – ainda mais “de grátis”. E sem sair do corredor de compras tão venerado pelos turistas do mundo inteiro: a 5a. Avenida. Mas, apesar de ser grátis e ter uma localização privilegiada, por que é que a mostra estava tão vazia? Certamente porque as pessoas têm outras prioridades. Na ida, enquanto eu caminhava de um ponto de ônibus para o outro, não pude deixar de notar a longa e constrangedora fila da Abercrombie. Sem dúvida,  eu devo ser muito careta. Sumérios?! Virginia Wolf?! Parece que, pra muita gente, muito melhor é fazer fila pra uma t-shirt!…

 

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É muita arte e pouco tempo.

O maridão fica sempre me lembrando que o personagem do livro O Museu da Inocência (que ele não cansa de elogiar) visitou mais de 5.000 museus. Vou escrever por extenso: cinco mil! Meu Deus, pra eu conseguir chegar perto disso, a medicina teria que esticar e muito a duração da vida humana.

Mas, exageros à parte, é sempre bom “descobrir” um novo museu e planejar uma ida assim que possível. Dizendo dessa maneira, parece que eu desenterrei alguma instituição desconhecida em algum ponto remoto da terra. Nada disso, estou falando de Baltimore, um tiro de espingarda aqui de New York (como se costumava dizer antes da arma de fogo se tornar politicamente incorreta). Mais exatamente, o Baltimore Museum of Art que, em 1949, foi agraciado com o acervo das milionárias irmãs Cone. E é essa Cone Collection que o Jewish Museum está exibindo aqui em New York. O lote completo se compõe de mais de 3.000 peças, das quais 500 são obras de Matisse! E depois Picasso, Cezane, Gauguin, Van Gogh e por aí afora.

Elas compravam tanto que acabaram se tornando íntimas dessa turma toda, inclusive com direito a retrato. O de Claribel, por exemplo, foi pintado por Picasso. No Jewish Museum, a exposição vai até 25 de setembro e, além das obras, você também pode visitar digitalmente o antigo apartamento das duas milionárias – onde tinha arte saindo pelo ladrão. Depois de 25 de setembro, é só dar um pulinho em Baltimore. E já que você está lá, visite também a casa/museu do Edgar Allan Poe. É sempre mais museu em direção à meta de cinco mil lá do início…

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De volta para o futuro.

No passado, isso era o futuro.

 

Olha aí, pessoal. A New York World’s Fair de 1939 está de volta no Long Island Museum of American Art, History and Carriages. Na verdade, na mesma exposição, também está de volta a New York World’s Fair de 1964. As duas edições, revisitadas a partir de uma extensa coleta de filmes e objetos espalhados por várias coleções particulares, também conta com fiéis reconstruções cenográficas. O melhor exemplo: as duas filas de colunas que abrigam a tela  onde são projetadas imagens de cinegrafistas amadores que visitaram as feiras originais.

 

Passada a tela, de um lado fica a exposição de 39. Do outro, a de 64 que, além de objetos de coleções particulares, conta também com o acervo do Queens Museum of Art que – vejam vocês – ocupa hoje um edifício que foi usado nas duas feiras.
Falei em duas feiras, mas na verdade tem mais. Há também um pavilhão onde você pode viajar no tempo e nas feiras que aconteceram de 1853 a 1982: “Centuries of Progress: America’s World’s Fairs, 1853-1982”. Todas elas tendo como objetivo a introdução e a disseminação de novas idéias e produtos.
Um pequeno exemplo de um “produtinho” apresentado na Feira de 39: a meia de nylon. NY-LON porque foi um projeto conjunto de cientistas trabalhando em New York (NY) e London (LON).
Se eu fui? Não, não fui ainda, mas acho que vale a pena. Afinal, às edições originais vieram a Rainha Elizabeth, o Rei George VI (exato, o que gaguejava) e até a Pietà do Michelangelo.
Long Island não é perto, mas também não é longe. Se em 1939 – com todas as limitações de transporte – compareceram 51 milhões de pessoas, hoje deve ser bem mais fácil…

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Os primeiros dias de Pompéia.

Visite antes que acabe. A exposição também.

Enquanto a chuva e o descaso do governo Berlusconi destroem Pompéia na Itália, aqui em New York ela está sendo cercada de mil atenções. O mega-espaço do Discovery-Times Square acaba de abrir suas portas para “Pompeii The Exhibit: Life and Death in the Shadow of Vesuvius”. Claro que nada substitui uma uma visita à verdadeira Pompéia (apesar do abandono em que se encontra). Mas, para aproveitar os recursos da tecnologia e vivenciar um pouco do que aconteceu naquele longínquo 24 de agosto de 79, nada como essa exposição – que deverá ficar em cartaz até 5 de setembro.

 

Como todo mundo se lembra, Pompéia foi destruída instantaneamente por um nuvem de cinzas e gases e um rio de lava do vizinho Vesúvio. Dos 25.000 habitantes, não sobrou ninguém pra contar a história. E a cidade, quer dizer, a ex-cidade caiu no esquecimento durante 16 séculos. Quando redescoberta (no século XVIII), os arqueólogos encontraram os restos mortais de 1.100 pessoas. E, com o tempo, descobriram-se ainda mais corpos carbonizados, não só em Pompéia como também em Herculano (que foi destruída no mesmo dia).

 

Além de mostrar moldes de inúmeros corpos (todos com a inevitável expressão de terror no rosto), a exposição faz uso de outros recursos tecnológicos para estressar a experiência do visitante: o vulcão “ruge”, o chão vibra e uma porta dupla se abre para um grupo de pessoas vivendo (melhor dizer, morrendo) seu momento final…

 

Para não dizer que seja só tragédia, a exposição reúne também 250 objetos (muitos deles exibidos pela primeira vez) além de touch screen kiosks onde você pode expandir sua pesquisa sobre a cidade. Ah, sim, uma informação importante: parte da bilheteria será usada para restaurar a verdadeira Pompéia.

 

Então é isso: quem estiver na região da Times Square, é só escavar um pouco pra descobrir esse (por mais triste que seja) tesouro da humanidade.

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Guitarras invadem New York.

Guitarras Uptown e Downtown.

Dia 13 de fevereiro, o MOMA inaugura a exposição “Picasso: Guitars 1912-1914″. São mais de 70 peças, entre colagens, desenhos, pinturas e fotografias. Por que fotografias? Porque algumas obras que Picasso criava eram tão frágeis, tão efêmeras, que o mestre as fotografa como registro. Segundo o press release do museu, o público ter a oportunidade de ver quadros que jamais colocaram os pés (ou as cordas, no caso) nos Estados Unidos. O mais famoso deles, o Violino Pendurado na Parede, de 1913, que pertence ao Museu de Berna, na Suíça.

 

Coincidentemente (ou não!), dia 9 o Metropolitan Museum também inaugura uma exposição que tem a guitarra como tema: “Guitar Heores: Legendary Craftsmen from Italy to New York”. Como o nome faz ver, não são quadros mas os instrumentos propriamente ditos.

 

Portanto, é só escolher: no uptown,  os (quase) anônimos artesãos que têm aperfeiçoado o instrumento ao longo do tempo; no midtown, o mais badalado artista plástico do século XX. Ou ver os dois, por que não?

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