Esta rua é um palavrão.

A rua é um pouco maior que a placa

Já a conhecia de priscas eras, mas voltei lá para algumas fotos. É uma rua de, estourando, 60 metros no 1er Arrondissement.  Perto do Louvre.  Tirando um antiquariado e uma galeria de fotos, não há mais nada de notável na extensa artéria.  Ah, sim, também existe um hotel – mas, por tudo que li, é melhor manter distância dele.

Claro que, por razões óbvias, acho o nome interessante.  Mas mais interessante é o que está por trás dele.  A rua não ganhou esse epíteto porque alguém gostasse da ave, mas sim porque “pelican” era o som mais próximo do palavrão que identificava a rua na idade média.

De fato, até o século XIX muitos logradouros públicos parisienses eram chamados por nomes chulos (eta palavrinha estranha!). Com o advento dos bons modos (prática precursora do politicamente correto) tornou-se necessário rebatizar dezenas de ruas e praças – entre elas, a Rue du Pélican.

Só para dar um exemplo, o nome original da Place de la République era  Place de La Raie Publique (ou Praça das Mulheres Públicas…).  O gosto pelo trocadilho fácil (forma popular de humor) era generalizado.  Quando a Ministra Marthe Richard (estado civil, viúva) fechou as famosas casas de tolerância parisienses, o povo passou a chamá-la de Veuve Qui Clôt (a viúva que fechou).  Quanto à Rua do Pelicano, o nome medieval é chulo demais pra ser reproduzido num blog de mocinha fina.  Tá bom, fina mas nem tão mocinha.

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Luzinha deve ser coisa de direita.

100 anos de história

Enquanto a Rive Droite (principalmente os Champs Élysées) está feericamente iluminada, a Rive Gauche permanece quase às escuras. Com exceção das luzinhas (equivocadas) da Rue de Rennes e da maravilhosa coreografia do Hotel Lutetia (foto), não há muito o que se ver do lado esquerdo do Sena.

Mas o Lutetia, uma das primeiras construções Art Deco de Paris, de fato vale a pena. Famoso por atrair famosos, o hotel conheceu “days of fame and days of shame” nos seus 100 anos de história. Os days of shame aconteceram durante a II Guerra, quando o prédio serviu de residência para os oficiais da ocupação.

Com a liberação de Paris (em 1944) o hotel passou a ser usado como centro de repatriação para prisioneiros de guerra. Depois disso, foi totalmente restaurado até voltar à sua antiga glória.

Claro que o preço da diária é um pouquinho salgado, mas passar em frente ou visitar o lobby não custa nada… OK, talvez custe uma taça de vinho. Que obviamente vai estar na casa dos dois dígitos. De euros. Mas também, num lugar com tanta história, o que é que você esperava?

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Trazendo lixo de Paris.

 

lapoubelle

5.832 km depois...

 

Paris? Não sei se quero escrever sobre Paris. Talvez pudesse escrever sobre as exposições que visitei. Os filmes que vi. Os restaurantes que saboreei. Mas existe mesmo alguma coisa que já não tenha sido escrita sobre Paris? Outra opção seria lamentar a ausência do outono: pas de feuilles mortes! Mas nada disso. Vou escrever sobre algo inusitado que trouxe da assim chamada cidade luz (chamam ainda?!).

Mas antes o que já trouxe de outras viagens.

Como há 22 anos coleciono objetos e imagens relacionados com uma determinada classe de animais vertebrados, bípedes e ovíparos (mais exatamente, pelicanos) posso dizer com certeza que pelo menos 80% de minha coleção já viajou de um país para outro. Às vezes, pra mais de um. Os menores, confortavelmente instalados em alguma mala ou bolsa; já os maiores, verdadeiros “malas sem alça” que carreguei de um ponto a outro do planeta. Conto de um, que comprei no próprio atelier do artesão (Michelângelo) em Orvieto. O bicho, tá bom, a ave tinha mais de um metro de comprimento. Na verdade, essa era medida da base onde efetivamente se apoiava um pelicano de 60 cm de altura. Ele foi de carro pra Roma; de avião pra Londres; e de lá numa conexão para NY. Parecia um rifle embrulhado, mas felizmente a compra aconteceu antes do 9/11: quer dizer, ninguém criou problema. Exceto minha cara metade, ao fazer de conta que aquele estranho pacote não lhe dizia respeito.

Por que estou contando tudo isso? Porque no meu último dia em Paris – a poucas horas do fechamento da mala – achei um objeto de que estava à procura em NY desde junho: uma lata de lixo cor laranja. Sim, você leu certo: uma lata de lixo (para a cozinha). Na cor laranja. O tamanho? Grande demais para uma mala grande. Nenhuma chance, portanto, de caber na minha – pequena e já bastante ocupada.

Enquanto minha cara metade já iniciava seu processo de negação da realidade (eu não vira uma lata de lixo e muito menos estaria pensando em levá-la pra NY) consumei a compra e pedi à moça que providenciasse um pacote capaz de resistir ao delicados funcionários do setor cargas dos aeroportos de Orly e JFK. Enough said: ela prontamente produziu uma caixa, super-protegida por uma dupla camada de papelão. Não contente, me armei de duct tape, fechei tudo direitinho, criei uma alça… et voilá!  Ou melhor, voei aqui pra NY. O resultado disso? Uma cozinha muito mais bonita. E mais laranja.

 

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Diógenes e o homem honesto.

Onde tudo aconteceu

Onde tudo aconteceu

Como a história abaixo merecia ser contada, pedi que o maridão a escrevesse.

Todo mundo conhece a história de Diógenes, filósofo grego do sec. 4 AC: em plena luz do dia ele costumava caminhar por Atenas, com uma lanterna nas mãos, à procura de um homem honesto. Seguinte, Diógenes: hoje encontrei um.

Chegando a Paris no meio da tarde, tomei um taxi do aeroporto pra Saint Germain. E na hora de pagar a corrida – aflito com o congestionamento que se formava na rua estreita – desci rápido e esqueci minha mochila no banco! E, dentro da mochila, todos meus documentos, cartões de crédito, cartões de débito, agenda, equipamentos eletrônicos, o diabo.

Ao dar pela coisa, obviamente quando o taxi já tinha desaparecido de vista, quase tive uma síncope. Pior de tudo (sempre pode ser pior) é que não havia pedido recibo – o que eliminava qualquer tentativa de localizar o veículo. Mas, no desespero, tentei fazer alguma coisa com a ajuda de dois amigos, embora o esforço me parecesse meio inútil: ligar para uma cooperativa de taxi (sem nenhuma garantia de que fosse a do carro em questão) e perguntar sobre um Toyota preto que saíra 1 hora atrás do aeroporto de Orly em direção a Saint Germain.

Feitos os dois telefonemas, me coloco diante do prédio à espera de um milagre: a cooperativa localizar o carro, o motorista se interessar em voltar, a mochila ainda estar lá, etc, etc.

Bom, enquanto penso em tudo isso, toca meu celular americano! Do outro lado da linha, o motorista (falando um pouco de inglês e um pouco de francês) explica que encontrou minha mochila e revirou os documentos até achar meu número de telefone! Aleluia. Em dez minutos, chega ele com a mochila nas mãos.

E conta sua história: depois de nos deixar, havia levado um novo passageiro até um hotel de Montparnasse. Assim que o passageiro desceu, ele (motorista) descobriu a mochila. Ato contínuo, estacionou o taxi e correu para o hotel na tentativa de devolver a bolsa para o distraído passageiro. Que felizmente a recusou, dizendo não ser  de sua propriedade. Diante disso, não restava outra saída ao motorista senão “fuçar” nos documentos e encontrar meu telefone.

Bem, agradeci-o 50 vezes e procurei recompensá-lo pelo esforço. Depois de despedirmo-nos entre sorrisos, entrei no prédio. Olhei rapidamente a mochila (não o fizera no momento) e me pareceu tudo em ordem.

Passados 20 minutos, decido sair para a rua. E quem encontro na porta? De novo, o motorista! Para melhor vasculhar na mochila, ele havia retirado uma pasta de plástico e colocado no banco. Dentro dela, eu guardava uma série de documentos e também meu talão de cheques… Ele se desculpou por sua falha (imaginem!) e disse que agora não faltava mais nada.Novos apertos de mãos e agradecimentos.

Com a pasta na mão, reentrei no prédio e não pude deixar de pensar em Diógenes. Não sei que resultado o filósofo teve em Atenas, mas hoje, em Paris, eu encontrei um homem honesto.

 

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Onde foi parar Amsterdam?

Pedalar por Amsterdam vai ficar pra outra vez

Pedalar por Amsterdam vai ficar pra outra vez

Como costuma acontecer nas melhores viagens, a minha também sofreu uma mudança de planos. Em poucas palavras, Amsterdam dançou. 

De qualquer maneira, aí vai uma fotinho pra matar a saudade e funcionar como tira-gosto para a próxima viagem. E, já que falei em tira-gosto, não posso deixar de falar na Mariana.  Ela não só ficou triste de eu não ir à Holanda, como também lamentou o fato de eu estar perdendo a oportunidade de saborear “seu” famoso croquete.  A coisa só não pesou mais porque estou indo pra Paris – destino que, segundo a Mariana, me exime de qualquer reprimenda adicional.

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Todos os caminhos levam a Roma – principalmente a Rodovia A1.

Benvenuti a Roma!

Benvenuti a Roma!

A grande vantagem de passar alguns dias na Calábria – e não vai neste comentário nenhum julgamento de valor – é fruir todo o resto da viagem com muito mais prazer de quanto você esperasse. E se o seu roteiro inclui esse ponto de beleza extraordinária que é Roma, a coisa fica ainda mais evidente. Aqui é muito fácil concluir que “la vita é veramente bella”

Que tal uma passeggiata?

Que tal uma passeggiata?

E como só tínhamos 3 dias pra matar a saudade de mais de 1 ano – de pessoas e lugares – tratamos de fazer o tempo render.

Aqui repousa a Margherita. Aquela da pizza.

Aqui repousa a Margherita. Aquela da pizza.

Revisitamos lugares preferidos; revimos amigos; voltamos aos restaurantes prediletos, sendo sempre recebidos com muito carinho.

Uma das figuras de Bernini "segurando" a igreja de Borromini

Uma das figuras de Bernini "segurando" a igreja de Borromini

Ah, sim, desnecessário mencionar que algumas comprinhas foram feitas. Ou melhor, várias.

Compras

Você vai a Roma pra ver ruínas, mas em ruína voltam os cartões de crédito

Mas passei longe das lojas acima. Mesmo porque meu budget fica muito abaixo.

Em Roma há tempo para tudo: pinacotecas e enotecas.

Em Roma há tempo para tudo: pinacotecas e enotecas.

Foram dias de muitas emoções – algumas boas, outras nem tanto. Mas foi, acima de tudo, uma oportunidade de encontrar/apreciar coisas belas, algumas das quais divido com vocês.

Via della Conciliazione

Via della Conciliazione

Um Vicolo. Traduzindo em miúdos, uma ruela.

Um Vicolo. Traduzindo em miúdos, uma ruela.

Acordei às 6hs pra fazer essa foto...

Acordei às 6hs pra fazer essa foto...

E pra ter certeza de que volto mesmo…..

Jogando dinheiro fora...

Jogando dinheiro fora...

Apesar da recente proibição, joguei minha moedinha na Fontana di Trevi, garantindo – como diz a lenda – minha volta à cidade.

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Per farla breve….

Siga essa placa....

Siga essa placa....

Depois de quatro looongos dias passados na Calábria, mais exatamente em Civita, Castrovillari, Frascineto, Papasidoro e outros municípios dos quais você nunca ouviu falar, chego à conclusão de que a plaquinha que mais me deixou feliz foi mesmo a que aparece nesta foto.

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De família, canyon e bilinguismo.

pra onde vou exatamente?

pra onde vou exatamente?

Acho que, plagiando o Vnv, hoje vou rodar uma charada.  Como é só uma brincadeirinha (peço a vênia ao Riq),  não vai haver troféu. Mas quem acertar (mesmo fazendo uso de minhas dicas, fotos e informações) ganha minha total admiração.

 

Primeiras impressões

Primeiras impressões

As dicas: viagem bienal com a família, ou parte dela, para o lugar onde a própria começou. De fato, dessa cidadezinha – perto de onde judas perdeu a bota (olhaí, CSI: bota!) – saíram o nonno e a nonna e foram dar com os costados em São Carlos, mais conhecida por Sunca.

A metrópole em todo seu esplendor

A metrópole em todo seu esplendor

A cidade (cidade é modo de dizer) fica situada entre dois mares – embora isso não a transforme num balneário.  Longe disso.  De qualquer maneira, água (doce) é um dos motivos pelos quais o vilarejo é mais conhecido.  O outro é o fato de ela ser uma das poucas cidades bilíngues do país.

 

O marco zero

O marco zero

A água comparece na forma de um canyon (notem meu cuidado, não compartilhado pelos locais, em não acrescentar o adjetivo grand); um canyon, eu dizia, por onde flui um nada caudaloso rio usado no verão para grandes competições aquáticas. E, por competições aquáticas, por favor não entendam kayaking ou rafting ou nenhum outro ing. Trata-se de uma corrida a pé no leito do rio e contra a correnteza!

O ( tá bom) Grand Canyon del Raganello

O ( tá bom) Grand Canyon del Raganello

O bilinguismo, mantido vivo desde o século XVI (e praticado pela maioria dos milhares, desculpe, mil habitantes do município), fica evidente nas placas de trânsito (trânsito?!) e nos cardápios dos vários (mais de um são vários, certo?) restaurantes da cidade.

 

Italiano ou Arbereshe?

Italiano ou Arbereshe?

O fato de a cidade ser um museu a céu aberto não foi suficiente para que administração abrisse mão de abrir um museu. E já que a instituição existe, é entrar e entender, num reduzido espaço de área e de tempo, o que é a história do município desde a imigração albanesa de 1470.

 

Cultura abundante

Cultura abundante

Saindo do museu, por favor olhe para os dois lados: o trânsito frenético pode comprometer seu discernimento e sua capacidade de atravessar a rua com segurança.

 

Antes de atravessar olhe para os dois lados

Antes de atravessar olhe para os dois lados

Bom, isso foi tudo. Terminei o post mas infelizmente o fim-de-semana que passo aqui ainda não terminou! Mentirinha (verdade!) mentirinha (verdade!) mentirinha…

 

Pra não dizer que não falei das flores, oops, frutas

Pra não dizer que não falei das flores, oops, frutas

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