Archive for the ‘Eu vi!’ Category

A terra de Frank Sinatra está cantando pneus.

Sunday, July 18, 2010

Vai um carro aí?

Hoboken, mais conhecida – ou melhor – unicamente conhecida por ser a terra natal de Frank Sinatra, agora está fazendo notícia por causa de uma experiência pioneira no setor de trânsito.

Para eliminar os congestionamentos, eles decidiram colocar mais carros nas ruas. Você leu certo: mais carros na rua. Só que carros “públicos”, quer dizer, veículos zero quilômetro para serem partilhados pela população.

O projeto (que já é operativo) se chama Corner Cars e segue basicamente o mesmo modelo do Zipcar. Todo mundo conhece o Zipcar? São carros que você pode alugar por hora, pegando e largando praticamente onde quiser.

Bem, foi isso que fez a prefeitura de Hoboken. Espalhou carros públicos pela cidade para estimular os moradores a abrirem mão dos seus. Você se inscreve na internet e recebe um smart card (sua chave) pelo correio. A partir daí, você faz tudo online: reserva, por exemplo, um carro na rua X, esquina com a Y. E entrega na rua Z. Há vagas especiais na cidade inteira, identificadas por faixas verdes no meio fio.

Dependendo do carro, você só paga $ 5.00 por hora (mais taxas). Gasolina incluída! E os modelos são uma graça: Toyota Yaris, Toyota Prius, MiniCooper, etc. Bem que a idéia podia ser adotada por New York. Só não venderia meu carro porque não possuo um… Mas que eu seria uma cliente, isso seria.

Enquanto isso (para conhecer a experiência) o que eu posso fazer é atravessar o Hudson, alugar um desses carros, dirigir até o Frank Sinatra Park e ficar apreciando a paisagem… de Manhattan.

Nada é sagrado.

Saturday, May 22, 2010

Mais um templo do consumo.

Numa cidade em que tudo se transforma, é óbvio que as transformações têm que ser sempre mais grandiosas e/ou originais. A eterna necessidade de empurrar os limites éticos, estéticos e quetais.

Tudo isso pra dizer que a cidade acaba de atingir mais um “breaktrhough”. Desta vez foi uma igreja que cedeu lugar para um shoppingzinho. Cedeu lugar, não. A igreja continua inteirinha lá – mas, em vez de fiéis, o que ela abriga agora são consumidores.

A Mari já tinha cantado esse salmo, quer dizer, essa bola aqui. E eu estava esperando o fim de semana chegar (proletariado, entende?) pra poder conferir pessoalmente.

Oremos? Não, compremos.

De fato, é uma idéia original.  E, de fato, ficou simpático. Mas, como o espaço era pequeno, as lojas tiveram que fazer milagre (epa) pra caber tudo. Só para dar uma idéia: a Havaianas, que aqui vende como água, teve que se contentar com um estandezinho não maior do que um genuflexório…

Tudo muito bonitinho (notaram a ênfase no “inho”?) e com algumas áreas ainda a serem inauguradas. Na sacristia, por exemplo, eles seguramente vão abrir uma loja de vinhos (tá bom, essa foi infame). Mas no fim e no fundo a impressão que fica é que, quando crescer, o Limelight Market quer ser o Chelsea Market.

Bom, eu tinha mais uma piadinha pra esse contexto de igreja, mas o texto acabou antes. Que sacro!

Hotel novo no pedaço.

Friday, May 21, 2010

Do outro lado da ponte.

Pegando uma carona na onda de revitalização do Brooklyn, o Sheraton acaba de inaugurar uma unidade na área.  É o primeiro hotel, desde 1998, a contemplar esse tradicional borough de New York City.

Como todos os brooklynites, o gerente do hotel afirma que o Brooklyn é a nova Manhattan. Não é, não, mas que o pedaço tem lá suas atrações, isso tem. E fica pertinho de Manhattan. Uma estação de metrô, na verdade. E, como o hotel já começa com 100% de ocupação, parece que mais gente partilha da mesma opinião.

Acho que vale a pena considerar. Hotel cheirando a novo, com preços inferiores ao de Manhattan, e muito, muito pertinho. É só cruzar a ponte – por cima ou por baixo, à vontade do freguês.

Assim dá até vontade de casar de novo!

Saturday, March 27, 2010

Um belo presente de casamento, não?

Ontem recebi um convite de casamento. E, para poder escolher o presente com calma, fui correndo ver em qual loja o casal havia deixado a lista. Mas, no lugar da tradicional lista, eis que encontro uma novidade que  deu até comichão de voltar ao altar.

Funciona da seguinte maneira: o casal escolhe uma cidade para a lua-de-mel, escolhe o hotel, escolhe onde pretende jantar, os passeios que quer fazer, e até as doceiras onde vai parar para tomar um cafézinho. O próprio site atribui um valor a cada coisa e divide este valor em pequenos pacotinhos. Os amigos do casal, ao adentrar o site, são recebidos com as mais variadas opções – nas mais variadas faixas de preço.

Você pode presentear uma diária do hotel X, a US$ 120.00, ou um passeio, por US$ 85.00, ou um jantar no restaurante Y, por US$ 50.00.

Como os restaurantes (que o casal em questão escolheu) não me agradaram, optei por oferecer um passeio e um café da tarde numa das confeitarias que faziam parte da lista.  Os noivos já tomaram conhecimento de meu presente e já me agradeceram, prometendo trazer uma fotinho deles no local.

Achei o máximo – mas gostaria de inovar. Como não me vejo casando novamente, será que não daria para adaptar a mesma idéia para outras, digamos, ocasiões festivas? Aniversário e aniversário de casamento, por exemplo. Se sim, aguardem para breve uma listinha dos hotéis, restaurantes, lojas de bolsas, lojas de sapatos, etc, que  farão parte de minha próxima viagem…

O Estádio do Touro Vermelho.

Sunday, March 21, 2010

Foto gentilmente cedida por Omar Melo.

Metrô até o World Trade Center: 11 paradas. Trem até Harrison, do outro lado do Hudson River: 4 paradas. Caminhada de 300 metros e pronto: chego ao Red Bull Arena, o estádio que deu hoje seu pontapé inicial com uma partida contra Santos (sem Robinho, o que fazer?…).

Construção state of the art, capacidade para 25.000 pessoas, e do lado de Newark – cidade que ostenta uma das maiores concentrações de brasileiros e portugueses. Já fico imaginando o Benfica aqui… E o Corinthians então?! Se o timão vier, tomo duas red bulls e faço a pé as 11 paradas de metrô, as 4 de trem, etc, etc.

Carnaval em Varsóvia? Tem sim senhor!

Wednesday, February 17, 2010

Com a Denise e a Paula falando há séculos do carnaval da Pipa; a Majô voltando pra casa de uma maravilhosa viagem; a Flavia se esbaldando no Rio; e o Riq trabalhando arduamente; eu também não quis deixar a ocasião passar (literalmente) em branco.

Então trouxe para vocês, com exclusividade, o Carnaval de Varsóvia – onde ninguém rasga a fantasia… mesmo porque morreria de frio!

Marquês de Sapukaiowsky

Eu quero é botar meu floco na rua...

1º Prêmio, Categoria Luxo.

Só pra fechar: aí, quarta-feira de cinzas.  Aqui, quarta-feira totalmente branca.

Esta rua é um palavrão.

Monday, January 4, 2010

A rua é um pouco maior que a placa

Já a conhecia de priscas eras, mas voltei lá para algumas fotos. É uma rua de, estourando, 60 metros no 1er Arrondissement.  Perto do Louvre.  Tirando um antiquariado e uma galeria de fotos, não há mais nada de notável na extensa artéria.  Ah, sim, também existe um hotel – mas, por tudo que li, é melhor manter distância dele.

Claro que, por razões óbvias, acho o nome interessante.  Mas mais interessante é o que está por trás dele.  A rua não ganhou esse epíteto porque alguém gostasse da ave, mas sim porque “pelican” era o som mais próximo do palavrão que identificava a rua na idade média.

De fato, até o século XIX muitos logradouros públicos parisienses eram chamados por nomes chulos (eta palavrinha estranha!). Com o advento dos bons modos (prática precursora do politicamente correto) tornou-se necessário rebatizar dezenas de ruas e praças – entre elas, a Rue du Pélican.

Só para dar um exemplo, o nome original da Place de la République era  Place de La Raie Publique (ou Praça das Mulheres Públicas…).  O gosto pelo trocadilho fácil (forma popular de humor) era generalizado.  Quando a Ministra Marthe Richard (estado civil, viúva) fechou as famosas casas de tolerância parisienses, o povo passou a chamá-la de Veuve Qui Clôt (a viúva que fechou).  Quanto à Rua do Pelicano, o nome medieval é chulo demais pra ser reproduzido num blog de mocinha fina.  Tá bom, fina mas nem tão mocinha.

Paris blanche-neige

Thursday, December 17, 2009

Atendendo a (meus) pedidos, neve em Paris

Uma coisa que sempre passou “em branco” pra mim: neve em Paris. Nunca tinha conseguido ver!  A coisa já tinha virado piada: bastava o avião de volta decolar… pra começar a nevar. Quando eu chegava ao meu destino, encontrava vários emails de amigas dizendo que eu havia perdido a nevasca da década ou, quiçá, do século.

Desta vez, enganei um bobo… Acordei hoje, abri a cortina bem devagarzinho e tcham, tcham, tacham, tcham (são quatro tchans, certo?): o telhadinho do prédio ao lado todo branquinho. Nem esperei o café (mesmo porque não tomo café): coloquei o casaco em cima do pijama e lá fui eu pra rua.  Fotografar antes que acabe, ou melhor, antes que vire lama.

Agora estou no lucro: já vi neve em Paris. E, segundo dizem os mentirosologistas, pode nevar muito mais ainda!

Luzinha deve ser coisa de direita.

Tuesday, December 15, 2009

100 anos de história

Enquanto a Rive Droite (principalmente os Champs Élysées) está feericamente iluminada, a Rive Gauche permanece quase às escuras. Com exceção das luzinhas (equivocadas) da Rue de Rennes e da maravilhosa coreografia do Hotel Lutetia (foto), não há muito o que se ver do lado esquerdo do Sena.

Mas o Lutetia, uma das primeiras construções Art Deco de Paris, de fato vale a pena. Famoso por atrair famosos, o hotel conheceu “days of fame and days of shame” nos seus 100 anos de história. Os days of shame aconteceram durante a II Guerra, quando o prédio serviu de residência para os oficiais da ocupação.

Com a liberação de Paris (em 1944) o hotel passou a ser usado como centro de repatriação para prisioneiros de guerra. Depois disso, foi totalmente restaurado até voltar à sua antiga glória.

Claro que o preço da diária é um pouquinho salgado, mas passar em frente ou visitar o lobby não custa nada… OK, talvez custe uma taça de vinho. Que obviamente vai estar na casa dos dois dígitos. De euros. Mas também, num lugar com tanta história, o que é que você esperava?

Diógenes e o homem honesto.

Thursday, October 22, 2009
Onde tudo aconteceu

Onde tudo aconteceu

Como a história abaixo merecia ser contada, pedi que o maridão a escrevesse.

Todo mundo conhece a história de Diógenes, filósofo grego do sec. 4 AC: em plena luz do dia ele costumava caminhar por Atenas, com uma lanterna nas mãos, à procura de um homem honesto. Seguinte, Diógenes: hoje encontrei um.

Chegando a Paris no meio da tarde, tomei um taxi do aeroporto pra Saint Germain. E na hora de pagar a corrida – aflito com o congestionamento que se formava na rua estreita – desci rápido e esqueci minha mochila no banco! E, dentro da mochila, todos meus documentos, cartões de crédito, cartões de débito, agenda, equipamentos eletrônicos, o diabo.

Ao dar pela coisa, obviamente quando o taxi já tinha desaparecido de vista, quase tive uma síncope. Pior de tudo (sempre pode ser pior) é que não havia pedido recibo – o que eliminava qualquer tentativa de localizar o veículo. Mas, no desespero, tentei fazer alguma coisa com a ajuda de dois amigos, embora o esforço me parecesse meio inútil: ligar para uma cooperativa de taxi (sem nenhuma garantia de que fosse a do carro em questão) e perguntar sobre um Toyota preto que saíra 1 hora atrás do aeroporto de Orly em direção a Saint Germain.

Feitos os dois telefonemas, me coloco diante do prédio à espera de um milagre: a cooperativa localizar o carro, o motorista se interessar em voltar, a mochila ainda estar lá, etc, etc.

Bom, enquanto penso em tudo isso, toca meu celular americano! Do outro lado da linha, o motorista (falando um pouco de inglês e um pouco de francês) explica que encontrou minha mochila e revirou os documentos até achar meu número de telefone! Aleluia. Em dez minutos, chega ele com a mochila nas mãos.

E conta sua história: depois de nos deixar, havia levado um novo passageiro até um hotel de Montparnasse. Assim que o passageiro desceu, ele (motorista) descobriu a mochila. Ato contínuo, estacionou o taxi e correu para o hotel na tentativa de devolver a bolsa para o distraído passageiro. Que felizmente a recusou, dizendo não ser  de sua propriedade. Diante disso, não restava outra saída ao motorista senão “fuçar” nos documentos e encontrar meu telefone.

Bem, agradeci-o 50 vezes e procurei recompensá-lo pelo esforço. Depois de despedirmo-nos entre sorrisos, entrei no prédio. Olhei rapidamente a mochila (não o fizera no momento) e me pareceu tudo em ordem.

Passados 20 minutos, decido sair para a rua. E quem encontro na porta? De novo, o motorista! Para melhor vasculhar na mochila, ele havia retirado uma pasta de plástico e colocado no banco. Dentro dela, eu guardava uma série de documentos e também meu talão de cheques… Ele se desculpou por sua falha (imaginem!) e disse que agora não faltava mais nada.Novos apertos de mãos e agradecimentos.

Com a pasta na mão, reentrei no prédio e não pude deixar de pensar em Diógenes. Não sei que resultado o filósofo teve em Atenas, mas hoje, em Paris, eu encontrei um homem honesto.