O restaurante é japonês mas o prato forte é da China.

China é modo de dizer: o  dono e quase toda a equipe são de Burma, que quem não faltou às aulas de geografia sabe que faz fronteira com a China. Estou falando do pequeno mas aplaudido Tabata Noodle, a nova casa em midtown que serve mais de uma dúzia de variações de lámen (a famosa noodle soup dos restaurantes chineses) todos com caldo de galinha ou vegetais.

 

Coisa rara nesse tipo de restaurante, o Tabata não tem apenas balcão: você pode se sentar confortavelmente em uma das mesas e ser muito bem atendido. Se bem que nas mesas você não vai poder acompanhar o ritual de preparação dos lámens. Bom, melhor você decidir in loco.

 

Claro que a essa altura alguém pode estar se perguntando: mas servem só sopa?! A resposta é: não. O Tabata também oferece outros quitutes. A começar dos dumplings (ou gyosa) de carne de porco. Mas o que mais me atraiu no cardápio foi uma montanha de arroz num prato com o stir fry que você preferir em cima: alguns levinhos e outros apimentados ou à base de leite de coco (Burma, lembra?).

 

Por ser competente, bem localizado e ter ótimos preços (os pratos custam em torno de $ 10.00) o Tabata merece uma visita. Ainda mais pensando no frio que vem aí pela frente. Um lámen ou  noodle ou sopa que seja, sempre vale a pena.

 

 

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Picasso no pedaço.

Não é em Manhattan. Não é em New York. Na verdade, não nem mesmo no estado de New York. É em Greenwich, Connecticut. Mas vale a pena porque você acaba matando, coitadinhos!, dois coelhos com uma só paulada (pois cajadada me parece meio antigo).

 

Como o título diz, é uma exposição do Picasso. Para ser mais exata, desenhos do Picasso. No Bruce Museum, na citada simpática cidadezinha de Greenwich. Fiquem tranquilos que é bem perto. De carro (saída 3 da I95) ou de trem da Grand Central (Metro North). Um dos municípios mais tradicionais do país (1642), Greenwich  vale o passeio. Ainda mais podendo juntar com uma mostra do mestre Picasso.

 

Agora a exposição. Como disse, são desenhos. Feitos entre 1933 e 1934 quando Picasso, já com 45 anos, estava gamado (ai, traí minha idade) por Marie-Thérèse, que tinha apenas 17. E, além de tudo, ele era casado. Com uma dançarina russa, de quem nunca se divorciou para não ter que dividir o patrimônio. Já imaginaram o patrimônio do rapaz?!

 

Bem, os desenhos. O tema é escultura, gênero pelo qual o mestre tinha começado a se interessar. E o estilo é clássico: Picasso tinha visitado recentemente Roma, Nápoles e Pompéia. Outra curiosidade é que ele teria dado essas gravuras (quer dizer, as matrizes) em troca de seus primeiros trabalhos que ainda estavam com o marchand Vollard, que o tinha ajudado no início de carreira. Daí o nome da coleção: Picasso’s Vollard Suite: The Sculptor’s Studio.

 

Mas o mais importante é que, com história ou sem história, a visita vale pena. Tá bom, não é em New York. Mas pode demorar menos do que um cross town quando está acontecendo alguma coisa na ONU. E o que tem acontecido de coisa na ONU

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A temperatura abaixa, os bons programas aumentam.

Outono começando e já começam a pipocar as fall attractions de New York.

 

Na Broadway, o tititi (ou buxixo, pois nunca sei qual é o mais usado) é a versão musical de Bonnie & Clyde. Quem viu o brilhante filme de Arthur Penn de 1967 (que eu só assisti 10 anos depois…) pode estar torcendo o nariz, mas acho que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Deu pra entender, não é?

 

Ainda na Broadway, alguns revivals que só confirmam que, quando você não tem nada novo para dizer, mande ver um replay. Aí estão: Godspell e On a Clear Day You Can See Forever. A segunda, sem dúvida, eu quero ver. Mesmo porque o filme também é um clássico. Sem falar da música. Diretor do filme, o Vincent Minelli que, de famoso diretor, acabou virando “o pai da Liza Minelli“. E no elenco o Yves Montand e a Barbra Streisand, além de um jovem promissor chamado Jack Nicholson. Vamos ver o que vem no teatro.

 

No cinema, vem aí o filme do Polanski, Carnage, baseado no livro da Yasmina Reza. Na cidade propriamente dita, o buxixo (ou o tititi?) é a reabertura do Joe’s Pub na Lafayette Street, um dos mais famosos nightspots da ilha (que, ursa que sou, pouco conheço).

No Lincoln Center, volta o White Light Festival que a essa altura já deve estar sold out. Música, como dizem os organizadores, com a capacidade transcendental de iluminar nosso universo interior. Não é pouco, não é?

 

E deixo para o fim a principal atração, que deverá brilhar não só no outono mas principalmente no inverno: a baixa temperatura! Bem-vindo, outono!

 

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Como enfrentar o calor no inverno de New York?

Não é engano, não.  Estou falando da diferença térmica que existe, durante o inverno na Big Apple, entre a rua e as lojas, restaurantes, cinemas, teatros e quetais. Uma hora estamos na rua, com o mercúrio escondidinho lá embaixo na casinha dele.  No momento seguinte, entramos numa loja com o termômetro bombando. E aí saímos de novo para o Polo Norte da 5a. Avenida. E entramos de novo para a zona equatoriana de uma Macy’s da vida. E por aí afora. Dentro, fora. Dentro, fora. De 5 negativos para 25 positivos. And back again to minus 5…

 

Quer dizer, ninguém aguenta.  A não ser que…e aqui entra a modesta sugestão do abrindoobico, baseada em anos de convivência com as intempéries norte-hemisféricas (existe isso?). Muito simples.

 

Primeiro de tudo, risque, cancele, delete de sua bagagem os inadequados ítens de vestuário tão ao gosto dos brasileiros: jeans e tênis.  Superada essa resistência, tudo fica mais simples.

 

Aí vai o kit básico:

. camiseta manga comprida ( alô, Hering!);

. sweater fininho (atenção, UniQlo!);

. casaco de couro forrado ou (mais leve e mais barato!) casaco tipo edredon ( você vai parecer mais gordo/a, mas vai se proteger que é uma beleza); North Face, anyone?

. écharpe, também de cashmere;

. luvas de couro forradas;

. chapéu/gorro ou, no mínimo, protetor de orelhas (não saia de casa sem ele!);

. botas com meias confortáveis.

 

Vestido/a assim, é a maior moleza driblar as oscilações do termômetro. Claro que tem sempre a parte chata de tirar e por. Mas é sempre melhor do que não ter o que por na rua, porque o que você veste é insuficiente; ou do que não ter o que tirar na loja sem arriscar uma seminudez involuntária.

 

Aceito feedbacks e sugestões: o inverno está virando a esquina, mas ainda temos tempo para discutir.  Como disse, minha fórmula tem funcionado, mas seguramente não é a única. Quem se habilita?

 

Só não vale sugerir álcool…

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É checo, é no Upper East Side e se chama Hospoda.

O nome não é nenhuma brastemp para os ouvidos Brasileiros, mas o restaurante só tem arrancado elogios. Qual é o nome? Hospoda. Exato, bem feínho. A casa, no sofisticado Upper East Side, fica no térreo do prédio que abriga o consulado da República Checa. Só por esse detalhe, você já pode imaginar o cardápio. Melhor ainda, pode imaginar a cerveja!

 

Mas antes o cardápio: pequenas porções (ninguém é perfeito…) de pratos tradicionais do país. Muito porco, presunto, chucrute, beterraba, etc. Tudo delicadamente preparado e servido com extrema elegância. Os preços são fixos, com alternativas de dois, três ou sete(!) pratos.

 

Agora a cerveja: a casa só serve Pilsner Urquell. E precisa mais? Essa diaba de marca é que me fez gostar de cerveja, numa tarde ensolarada em um dos bares de Praga (sim, era ensolarada, mas eu estava no ar condicionado).

 

O Hospoda, que significa Pub em checo, mais do que merece uma visita. Pela decoração, pelos pratos, pela cerveja e, é claro, pelas sobremesas. Anotem aí. Mas, com esse nome, acho que não dá mesmo para esquecer.

 

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Pas-de-deux by Paul McCartney

Como vocês sabem (ou acho que sabem) dia 29 de julho fui ver o Paul McCartney no Yankee Stadium. A-mei! O rapaz (tá bom, o senhor) segurou um show de mais de duas horas com a energia de um adolescente e o talento de quem está há mais de quatro décadas na estrada.

 

Mas por que estou dizendo isso quase dois meses depois do acontecido? Simplesmente porque dia 22 de setembro, no Lincoln Center, o moço vai revelar sua mais recente criação: Ocean’s Kingdom. Coreografada por Peter Martins, a love story (dizem que é uma love story)  será performada ( :lol: ) pelo New York City Ballet.

 

É o acontecimento do ano! Paul McCartney, Peter Martins e o New York City Ballet! Maravilhoso, não é? O único problema é que não estarei na cidade naquele dia… Mas já estou me programando para uma das próximas apresentações.

 

Se você pretende passar por New York neste outono/inverno, aproveite e faça o mesmo: Ocean’s Kingdom, no Lincoln Center.

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O outono dos gourmets.

Com crise ou sem crise, nos próximos dois meses New York vai dar à luz dezenas (eu disse: dezenas!) de novos restaurantes. Os jornais e revistas do ramo estão destacando em torno de trinta casas que, se o bolso permitir, nosso paladar deveria conhecer. O abrindoobico fica muito feliz com a efervescência da cidade, mas não para comentar, muito menos visitar, trinta novos restaurantes!

Então vamos aos principais, ou melhor, àqueles que mais despertaram minha curiosidade (como todo mundo sabe, sou muito chata para comer). Primeirão na lista, o Café Pushkin: a New York version da famosa matriz moscovita. Carros chefe cardápio, como vocês já podem imaginar, pelmeni dumplings e beef stroganoff. O endereço, 41 West 57th Street.

Continuando no leste europeu, vou dar mais uma chance para o Veselka Bowery,  tradicional griffe ucraniana que abre uma nova casa na 9 East 1st Street (Bowery). Nova chance porque o original, que já tem mais de 40 anos, não me convencia muito.

Este aqui já começa gostoso no nome: La Promenade des Anglais. No cardápio,  obviamente, pratos do sul da França para fazer você se sentir como se estivesse sentado do famoso boulevard de Nice que dá nome à casa. Endereço, 461 West 23rd Street.

Humm, esse eu pre-ci-so conhecer. É o Hakkasan, um popular chinês de Londres que decidiu ganhar o mundo. Vai abrir mais para o final do ano na 311 West 43rd Street.

Para terminar, dois endereços mais high end, daqueles que não são muito para o bico do abrindoobico, mas que valea pena citar: o Alison 18 que, depois de nove anos, reabre em um novo endereço: 15 West 18th Street. E o Jung Sik, o primeiro coreano moderno e sofisticado que aterrissa na cidade. A nova casa, como não poderia deixar de ser, fica em Tribeca: 2 Harrison Street. A conferir.

Então é isso. Outono começando aqui em New York e os gourmets  todos já com água na boca…

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Lower Manhattan, cada vez mais Upper.

Dez anos depois do ataque terrorista às torres gêmeas, a Lower Manhattan está vivendo um verdadeiro renascimento. Basta ver o espaço que ela tem ocupado nas páginas de turismo, entretenimento ou culinária. O abrindoobico, sempre ou quase sempre atento, pinçou um ramalhete (bonito!) de opções menos conhecidas da assim chamada Baixa Manhattan.

Vamos começar por um passeio de barco, mas não os manjados Circle Line. Nesse  aqui, você veleja 90 minutos em volta da ilha na réplica de uma escuna do século XIX. A saída é na South Street Seaport. 

Dependendo da hora do dia, seu segundo programa pode ser cultural ou etílico. O cultural fica por conta do injustamente pouco lembrado National Museum of the American Indian, que cobre a América como um todo. Situado próximo do Battery Park, só o prédio já é um espetáculo. E o mais curioso é conhecer um pouco dos índios Lenapes, que venderam “Manahatta” para os europeus… a preço de banana.

Mais para o fim do dia, a pedida é o happy hour da Stone Street. É como se você estivesse numa cidade de praia sem praia. Mesas na calçada, mesas na rua, mesas em qualquer lugar onde couber uma mesa. E centenas de profissionais do mercado financeiro, às vezes comemorando, às vezes afogando as mágoas de alguma queda do Dow Jones.

Se você se entusiasmou ou se entusiasmar com essa pequena amostra de programação para a Lower Manhattan, o negócio é se hospedar por lá também. O Cosmopolitan, que todo mundo conhece, está em obras embora continue ativo. Mas vale também conferir o Gild Hall, na 15 Gold Street. O hotel pertence à cadeia Thompson, o que já é uma recomendação. Mas melhor ainda é o preço, que pode chegar a $ 179.00 nos fins de semana.

Então é isso: a próxima vez que você baixar em New York, talvez valha a pena dedicar um pouco mais de tempo à Baixa Manhattan.

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