High Line, agora mais comprida.

 

 

 

Uma das grandes novidades do verão de New York: vai ser inaugurada a nova seção da High Line, o Minhocão (perdoem-me a comparação) que corta o Meatpacking District. Ainda não há data certa, mas no começo de junho o prefeito Bloomberg deverá cortar a fita inaugural.

Assim que isso acontecer, os novaiorquinos – e principalmente os turistas – vão descobrir um pedaço de High Line completamente diferente do anterior. O projeto vai da W 20th até a W 30th e, segundo os arquitetos que cuidaram do paisagismo, o objetivo foi fazer algo que contrastasse com o dinamismo da cidade: um lugar íntimo, tranquilo, onde o visitante possa esquecer um pouco de seus afazeres (ainda se fala afazeres, certo?).

Agora só fica faltando a 3a. seção, que deverá ir da W 30th até a W 34th. A entidade sem fins lucrativos que cuida do elevado acredita que o sucesso do novo percurso vai fazer pingar as doações necessárias para que a coisa se realize. Afinal, mais de 2 milhões de pessoas visitaram o local o ano passado. Um número para o qual o Brasil deve ter contribuído significativamente: toda vez que vou ao High Line encontro alguém falando nossa língua…

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Pulgas em New York. Quer dizer, mercado das pulgas.

Verão chegando, todo mundo saindo da toca. Já começou a ciranda de street fairs e flea markets nos vários boroughs da cidade. Na teoria, é uma iniciativa elogiável: é como se a moderna metrópole fizesse um passo atrás no tempo. Artesãos (será?) e mercantes ganham as ruas para vender seu peixe – que pode ser tudo: de comer, de vestir, de beber, de expor, etc, etc. Dizia, na teoria é legal. Mas, na prática, mon bon dieu! A cidade enlouquece. Ônibus são desviados. O transito pára completamente. Os taxis desaparecem. E os insultos voam em cada esquina. Isso sem falar do cheiro que invade os quarteirões…

Bom, dito isso, vocês já perceberam que não sou muito fã das street fairs  mas dos flea markets eu gosto, sim. Quer dizer, fuçar um pouco, enquanto o sol ainda está baixo. Os principais:

THE ANTIQUES GARAGE: 112 W com a 25th (entre a Avenida das Americas e a 7a. Avenida). Sábado e domingo, as 9:00 às 17:00.

GREENFLEA MARKET: Columbus Avenue altura da 77th Street. Domingo, das 10:00 às 17:45.

HELL’S KITCHEN FLEA MARKET: 39th, entre a 9th 2 10th Avenues. Sábado e domingo, das 9:00 às 17:00.

HESTER STREET FAIR: Hester e Essex Streets. Sábado, das 10:00 às 18:00.

WEST 25TH STREET MARKET: 25th entre Broadway e Avenue of the Americas. Sábado e domingo, das 9:00 às 17:00.

BROOKLYN FLEA, FORT GREENE: 176 Lafayette Avenue (entre Clermont and Vanderbilt Avenues). Sábado, das 10:00 às 17:00.

BROOKLYN FLEA, WILLIAMSBURG: 27 North Sixth Street (entre Kent Avenue e o East River). Domingo, das 10:00 às 17:00.

Pra terminar, um velho ditado: para quem está com coceira de comprar alguma coisa, nada melhor do que um mercado das pulgas…

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Tudo bem, mas sem olhar pra baixo!

Além do Restaurante 360 (que, segundo o Guinness Book, possui a adega mais alta do mundo) e da vista deslumbrante, a Torre Nacional do Canadá agora tem mais uma cenourinha pra atrair turista: o Edge Walk. Coisa de doido. Do que se trata? Uma volta  completa em torno da torre, que tem 365 metros de altura. Pior: num espaço de 1,5m, sem proteção e  sem ter onde segurar!

Vai funcionar assim: grupos de seis a oito pessoas, vestindo uma roupa especial, são presas a um cabo que, na outra ponta, é enganchado a um tubo que circunda o topo do landmark. Com essa corda, elas podem caminhar, inclinar-se em direção ao vazio, fazer tudo o que a coragem de cada um permitir. Segundo eles, a coisa ata e não desata.

Tempo da experiência? Uma hora e meia entre entrada e saída. Mas de caminhada mesmo são aproximadamente 30 minutos. Dia 1º de junho começa a venda de bilhetes pela bagá de 175 dólares canadenses. Quem se habilita?

Ah, sim, aproveito pra contar: no comecinho do século (em 2.000 rs,rs) passei por uma experiência semelhante em Sydney. Também vesti uma roupa especial e, com um grupo um pouco maior, dei meia volta na ponte-cartão-postal da cidade. Se alguém duvidar, tenho fotos…

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É muita arte e pouco tempo.

O maridão fica sempre me lembrando que o personagem do livro O Museu da Inocência (que ele não cansa de elogiar) visitou mais de 5.000 museus. Vou escrever por extenso: cinco mil! Meu Deus, pra eu conseguir chegar perto disso, a medicina teria que esticar e muito a duração da vida humana.

Mas, exageros à parte, é sempre bom “descobrir” um novo museu e planejar uma ida assim que possível. Dizendo dessa maneira, parece que eu desenterrei alguma instituição desconhecida em algum ponto remoto da terra. Nada disso, estou falando de Baltimore, um tiro de espingarda aqui de New York (como se costumava dizer antes da arma de fogo se tornar politicamente incorreta). Mais exatamente, o Baltimore Museum of Art que, em 1949, foi agraciado com o acervo das milionárias irmãs Cone. E é essa Cone Collection que o Jewish Museum está exibindo aqui em New York. O lote completo se compõe de mais de 3.000 peças, das quais 500 são obras de Matisse! E depois Picasso, Cezane, Gauguin, Van Gogh e por aí afora.

Elas compravam tanto que acabaram se tornando íntimas dessa turma toda, inclusive com direito a retrato. O de Claribel, por exemplo, foi pintado por Picasso. No Jewish Museum, a exposição vai até 25 de setembro e, além das obras, você também pode visitar digitalmente o antigo apartamento das duas milionárias – onde tinha arte saindo pelo ladrão. Depois de 25 de setembro, é só dar um pulinho em Baltimore. E já que você está lá, visite também a casa/museu do Edgar Allan Poe. É sempre mais museu em direção à meta de cinco mil lá do início…

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Ensina-se tudo. Cobra-se pouco.

Tudo o que você gostaria de saber e não tinha pra quem perguntar (tirando o Google, é claro). Foi mais ou menos isso que motivou a dupla Jennifer Messier e Jonathan Soma a criar o Brooklyn Brainery. Exato, estou de novo falando do Brooklyn. E o que é o Brainery? É uma escola que ensina (no mais das vezes, em três ou quatro lições noturnas) tudo o que você gostaria de saber sobre assuntos que vão da fotografia à culinária, passando por física, meteorologia, moda, redação, etc, etc.

Tamanho da classe, sempre em torno de 12 pessoas. Preço médio dos cursos, $ 25.00. Quer dizer, perfeitamente acessível. E o melhor é que são aulas informais e com total participação da platéia.

Se a possibilidade de ampliar horizontes não for suficiente, aí vão mais dois argumentos a favor. Ótima oportunidade de networking e a cervejinha que sempre rola depois da aula.  Brooklyn Lager, seguramente…

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Do Batali ao Boulud.

Sábado de sol em New York – mas com a temperatura ainda agradável (do contrário, não teria tirado the feet from home). Decido por uma incursão ao Eataly, ainda relativamente
vazio para um fim de manhã de primavera. Depois de uma pizza in bianco e de um cálice de vinho também bianco (além de dois ou três temperinhos que ninguém é de ferro) decido visitar o outro famoso B da culinária nova-iorquina: a nova épicerie e o novo restaurante do Boulud.

Localização privilegiadíssima: 64 com a Broadway. Em frente ao Lincoln Center e ao lado, portanto, do já badalado Bar Boulud. Ah, sim, e com vista para a futura filial da Century 21 (que, como já escrevi aqui, vai ocupar o espaço, sniff, sniff, da antiga Barnes & Noble). Bem, mas voltemos ao Boulud. Lendo “Épicerie“, muita gente pode imediatamente pensar naquele espaço maravilhoso em Paris, ao lado do Bon Marché. Nada disso. A Épicerie Boulud é de pequenas proporções. Uma “lojinha” de esquina. Mas recheada de iguarias, todas de responsabilidade de Gilles Verot, uma das maiores autoridades em culinária suína. Tanto é que uma das delícias mais concorridas da Épicerie é o Jambonneau, uma espécie de coxinha de porco. Mas o cardápio vai além:  sanduíches, saladas, pães, sorvetes, etc. Ah, claro, esqueci de falar: o espaço é pequeno porque se trata de um takeout.

Para sentar, além do Bar Boulud, agora você pode virar a esquina (na 64) e ir ao Boulud Sud. Um desbunde, a começar da decoração – com arcos inspirados na Fundação Maeght de St.-Paul-de-Vence. No cardápio, delícias da cozinha mediterrânea (daí o Sud) francesa e não só. Os preços? Salgados, pelo menos pra quem recebe em dólar… Mas a experiência gastrônomica mais do que justifica. Pelo menos é o que se lê na mídia. Se houver interesse, aqui vai uma sugestão: juntar mais um B ao seu programa. B do ballet que fica logo em frente…

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Comida de avião servida no chão.

A minha, eu prefiro trazer de casa.

Quer dizer, em terra. A ideia não é nova, mas a prática tem sido cada vez mais frequente: companhia aéreas “disponibilizando” seus cardápios em lugares tão disparatados quanto estádios, arenas, festivais de cinema, ruas e parques.

Alguns exemplos? A Austrian Airlines servindo café nas calçadas de Washington; a Air France (com cardápio assinado por ninguém menos do que o Chef Joel Robuchon) servindo iguarias num tralier estacionado em uma das esquinas de Manhattan; a Southwest distribuindo hamburgers e outras calorias no Bryant Park; e assim por diante.

É tudo marketing, é claro: o que os profissionais chamam de “real-life interaction com a marca”. Mas não deixa de ser curioso. Ou paradoxal, para usar uma palavrinha mais a propósito. Aqui na terra, toda uma preocupação em alardear qualidade. Lá em cima, preocupação nenhuma em manter a promessa. Pratos cada vez mais medíocres, servidos às pressas, e com muita má vontade. Sem falar nos voos onde só falta pagar o guarnanapo.

O que fazer? Bem, se eles estão fazendo todo esse alvoroço aqui em baixo, vamos aproveitar. Porque lá em cima a gente já sabe…

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Um caffe latte e lá se foi seu laptop.

Olhaí, pessoal. Mais uma prova de que primeiro mundo não significa necessariamente segurança pessoal – coisa que na verdade não existe.

Por mais que eu goste de NY ou de algumas cidades da Europa, não tenho nenhuma dúvida de que todas têm problemas nessa área. Tive a casa assaltada duas vezes em Roma (mas, como foi sem violência, a gente quase que agradeceu os gatunos…).

Bom, mas estou me afastando do assunto. Voltemos pra NY. Noticiam os jornais aqui que os 298 Starbucks da cidade (e não só eles) transformaram-se no território preferido dos chamados pickpockets.

Não passa um dia sem que a polícia receba uma reclamação de roubo. Os objetos mais comuns: laptops, ipads, celulares e bolsas. Por que o Starbucks ou lojas assemelhadas? Porque são as chamadas zonas de conforto. Cidadão entra, abre seu laptop, seu ipad, seu ipod, etc, e se esquece da vida. Levanta pra um caffe latte e quando volta: cadê meu computador?! Vai à toalette e quando volta: cadê meu celular?! Merguha em alguma rede social e quando volta ao mundo real: cadê minha bolsa?! E assim por diante, loja após loja, dia após dia.

Ao ler a notícia, minha primeira reação foi dizer: como é que pode não prestar atenção? Mas é assim mesmo. Esses lounges não foram feitos pra gente “desligar”? Poltronas de couro, jazz no sistema de som, um permanente aroma de café… tudo isso contribui pra um certo relax que tem, justamente, feito a festa dos ladrões.

O que fazer? O abrindoobico acha o seguinte: ninguém precisa abrir mão de um caffe latte – só precisa ficar esperto.

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