Em cima, Rembrandt. Embaixo, boliche.

Foto surrupiada do NYT (Fred R. Conrad)

Não, nunca fui. Mas tenho muita vontade de conhecer. Sabe a Frick Collection? O “museu” descoladíssimo da 70 com a 5a.? Então, no subsolo da mansão – aliás, construída pelo mesmo arquiteto que assina a New York Public Library – o proprietário (Henry Clay Frick) mandou ver 2 pistas de boliche. Isso lá nos idos de 1914. Diz a história que ele gastou $ 850.00 com a construção; e $ 100.00 com as bolas – que só tinham dois furos, vejam vocês!

Mas vamos ao que interessa: o que interessa mesmo é conhecer o local, certo? Então, só que não pode. O subsolo da Frick Collection, por ordem do Fire Department, está fechado para o público. Um espaço maravilhoso, com piso de pinho e maple (como se fala maple em português?!), que muita gente teria curiosidade de conhecer. Eu, pelo menos, sim.

Também surrupiada. Esta é a entrada

E não é que, às vezes, eles dão uma canja? São poucas, mas acontecem por ocasião de alguma manifestação de open house. A última delas eu perdi, mas continuo atenta. Quem sabe um dia, além dos Rembrandt, Vemeer, Renoir, El Greco, eu também não consiga ver o que está por baixo de tudo isso. Pra quê? Pra dizer que vi, uai!

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Motor de Busca? Não, contador de histórias.

Detalhe da homepage do Qwiki

Tudo o que a web não precisa é de outro motor de busca, mas sim de soluções que contem uma história. Afinal, contar história é como a humanidade vem milenarmente partilhando experiências. É mais ou menos isso que declarou pra Newsweek o criador do website qwiki.  Website é ainda modo de dizer, porque a coisa está só no começo.

Mas é só ir lá pra ver que a idéia é brilhante. Quer ir pra Istambul, por exemplo? Você não precisa “search” hoteis, depois restaurantes, depois locais de interesse, depois dicas, e por aí on and on.

 

O Qwiki conta a história toda pra você, como se fosse um amigo que acabou de voltar de lá. Mesma coisa com qualquer outro item de interesse.
Sugiro uma visitinha. Como disse, ainda é só uma idéia (nesse momento, devem estar procurando investidores) mas a coisa tem tudo pra dar certo.

Se dei um susto no Fred ousando fazer um post sobre algo tão tecnológico quanto o Kindle, com esse do qwiki então ele vai cair duro pra trás! Ah, mais notícias no Mashable. Ou na Newsweek.

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Comprei 1 livro. Na verdade, comprei 3.500!

To Kindle or not to Kindle?

Ninguém vai entender o fato de eu estar postando sobre tecnologia. O Fred que o diga! Mas é que não houve jeito: tive que me render aos encantos do Kindle. Por um motivo muito simples: os livros estavam ocupando muito espaço na minha pobre mala. Cada vez que viajo, separo meia dúzia de volumes pra levar. Sem contar os que acabo comprando no meio do caminho. Então resolvi ser moderna e render-me à praticidade que a tecnologia nos coloca à disposição.

Mas sem deslumbramentos: acho tudo maravilha por um lado, mas  por outro também vejo várias desvantagens.
Os prós
.A velha coluna vertebral agradece: em vez de arrastar uma mini-biblioteca mundo afora, agora viajo com algo que se asemelha a um réles caderninho.

.O planeta agradece: estou economizando papel; portanto, menos árvores estão sendo ceifadas.

.Uma surpresa para mim: a legibilidade é total, mesmo na mais intensa claridade.
.Ah, o gadget tem espaço pra 3.500 compêndios! Comé que pode, seo?!
.Também tem dicionário. Lê pra mim, se eu precisar. E compro tudo num piscar de olhos (será que isso não tinha que estar no bloco dos contras?!).
.Não posso deixar de mencionar também a capinha liiiinda que comprei pra ele, cuja cor obviamente é desnecessário lembrar.
Os contras
.Não posso ler na decolagem nem na aterrissagem. E isso é um fato da maior gravidade.
.Tenho mais um cabo para carregar.
.Consumo – mesmo que seja pouco – eletricidade pra fazer o bichinho funcionar.
.Não tem cheiro de livro.
.Não preciso mais ir a livrarias (com todas aquelas outras lojas no caminho…).
.Se eu perder, perco a biblioteca…
Placar final
Numa viagem, para economizar peso e espaço na mala, é ótimo. No dia a dia, fico com o velho e bom papel.


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Duas estrelas no Brooklyn.

O Michelin descobriu o Brooklyn

Embora eu viva repetindo a frase da Samantha (“I don’t do boroughs”), tenho falado com alguma frequência do Brooklyn. E hoje volto mais uma vez ao bairro para uma notícia que, mesmo não sendo tão fresquinha assim, não pode ficar de fora de um blog que se gaba (ainda existe esse verbo?) de abrir o bico sempre que algo relevante sucede por aqui.

Enfim, direto ao ponto. O Guia Michelin, que acaba de distribuir suas estrelas aqui em NY, sapecou duas para um mercadinho do Brooklyn. Sim, você leu certo: o Brooklyn Fare, um restaurante de uma mesa só dentro um mini-mercado, acaba de receber um par de estrelas do renomado (renomado é bom!) guia francês.

Não, não conheço o local. Mas é um restaurante de degustação: five-course meal pelo preço fixo de $ 135.00. Não é barato, mas pelo menos o vinho você pode/deve levar de casa: o Brooklyn Fare segue o modelo BYOW.  Ah, e a mesa – de aço inoxidável – fica no centro da cozinha. Dizem que é longa, mas é uma só.

Dignas de nota também são as aulas de cozinha. Às quintas, sextas e sábados, além de se deliciar com as iguarias do local, 12 gourmets (alô, Edu!) podem acompanhar os trabalhos do Chef e aprender pratos e dicas.

Pra você ter uma idéia da importância do prêmio, basta dizer que o Bouley, o Gramercy Tavern, o Marc Forgione, o Minetta Tavern, o Modern, enfim, vários famosos restaurantes de Manhattan só levaram uma estrela.

Uma sugestão: por que não incluímos o local em nosso roteiro da ConVnVenção NY 2011? Podemos aproveitar e rodar um pouco o Brooklyn que, como tenho lembrado aqui, está “assim” de novidades.

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Bonnet House. De tirar o chapéu.

Olha aí que bela surpresa!
Todo mundo sabe de minha aversão a lugares de clima tropical, subtropical, vice-subtropical e adjacências. Mas, quando o dever chama, infelizmente não há nada a fazer senão fazer a mala. Tudo isso pra dizer que estive em Fort Lauderdale dois inteiros dias!

 

Saí de NY já com a cabeça feita. Quer dizer, com a certeza de que não encontraria nada diferente do que existe em Miami – lugar pelo qual, digamos, não morro de amores. Mas não é que me enganei!

 

Fort Lauderdale é uma graça. Tão perto e ao mesmo tempo, na minha opinião, tão longe de Miami. A praia, de uma limpeza impecável. As ruas, idem. Numa área bastante reduzida, uma oferta surpreente de bares, restaurantes, cinemas, teatros. Exato, teatros – e com grandes produções: peças, musicais, concertos, ballets.
Se você estiver em Miami, vale uma visita – por curta que seja. Na verdade, quase tudo se concentra no Las Olas Boulevard e no Broward Center for the Performing Arts. O que não está nessa área, e que foi uma boa surpresa pra mim, é a Bonnet House.
Conto rapidamente: no começo do século passado, uma jovem pianista de Chicago casa com um artista plástico e recebe, de presente dos pais, uma faixa de mata em Ft Lauderdale. No centro dessa floresta, os dois constroem uma casa pra onde fugir durante o inverno. O casamento entretanto não durou muito: ela morre de câncer e ele não volta a Ft Lauderdale durante vários anos.

Até que Frederic (era esse seu nome) se casa com Evelyn, uma jovem também chegada às artes plásticas. E não é que eram feitos um para ou outro? Frederic, que já era aplicado, começa as produzir freneticamente. Mesma coisa Evelyn. E juntos eles completam o que hoje se chama Bonnet House. Faziam de tudo: do jardim aos candelabros; dos pisos aos tetos decorados. Ah, e compravam também. Rodavam o mundo, comprando objetos, móveis, louças, faqueiros, le diable.

Bom, está tudo lá exatamente como foi deixado. Frederick morreu mais cedo. Evelyn viveu até os 109 anos e, como último gesto, transformou a casa num museu – com a condição de que não mexessem uma palha.
Visitas, só com guia. Sessenta minutos. E dá pra ver tudo. A casa, de inspiração caribenha. O páteo interno, com fonte no centro. O ateliê em que ele trabalhava (impressionante); a cozinha que liga com a copa que liga com a sala de jantar (ainda com a mesa aparelhada); os corredores; a sala de estar… enfim, uma série de ambientes, todos frizados no tempo.  Além de outro cômodo impressionante: o estúdio  da primeira mulher, com o piano e a pauta de uma música de sua autoria. Na parede anterior, dois gigantescos espelhos que obrigaram Frederic a aumentar o pé direito da sala.

O que não está lá (mesmo porque não resistiriam à maresia do vizinho Atlântico) são alguns “quadrinhos” que o casal foi comprando quando de suas viagens à Europa. Antes de morrer, Frederic doou-os ao Museu de Chicago: Matisse, Van Gogh, Cezanne, Seurat, pra citar alguns… Na minha próxima ida a Chicago, pretendo conferir.

Bonnet House. Não é Gaudi, mas vale a visita.

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Ônibus em NY: só com um caminhão de paciência!

 

Máquinas que transformam um bilhete de ônibus… num bilhete de ônibus.

Semana passada, aqui na esquina de casa, duas novidades: a primeira, é que costruíram um novo ponto de ônibus expresso com abrigo e tudo. A segunda é que, ao lado, instalaram três máquinas: duas delas para emissão de Metrocard, pensei eu na minha inocência; e a terceira específica para moedas.

Já não era sem tempo, dialoguei com meus botões! Acabou o sufoco de correr atrás de uma estação de metrô ou de jornaleiro pra comprar uma Metrocard… Parece que a cidade ouviu as preces de milhões de habitantes e de turistas, concluí eu!

Só que eu estava redondamente, circularmente, esfericamente enganada. E descobri isso hoje, no feriado de Columbus Day, quando o novo “sistema” entrou em operação. Vou contar tudo.

Saio de manhã com o maridão (feriado, lembram-se?) pra tomar um ônibus na 2a. Avenida. E, como somos os dois possuidores de uma Metrocard, simplesmente olhamos as reluzentes máquinas (sim, elas estão em todos os pontos) e adentramos o coletivo (coletivo é bom, hein?). Na verdade, adentramos e fomos saídos.

Vou explicar por que: não interessa se você tem uma Metrocard ou $ 2.25 em moedas no bolso. Os ônibus expressos, antigos Limited, em New York, a partir de hoje, têm que ser pagos antes do embarque – exato, nas maquinhas que ficam na calçada. Claro que perdemos o comboio, pois o motorista não ia esperar que voltássemos até as maquininhas pra fazer nossos bilhetes.

Bem, voltamos às maquininhas só pra constatar open-mouthed (quer dizer, boquiabertos) que elas não vendem Metrocard!!! Sim, acreditem: elas existem simplesmente para que você, COM A SUA METROCARD QUE VOCÊ TEVE QUE COMPRAR EM ALGUMA ESTAÇÃO DE METRÔ OU EM ALGUM JORNALEIRO, imprima um bilhete de papel!

Foi o que fizemos: inserimos a Metrocard, a máquina cuspiu o ticket, e nós pegamos o próximo ônibus. Ah, tem mais: ninguém confere seu bilhete. Você entra no ônibus e pronto.  Segundo eles, vão checar por amostragem.

 

O bilhete do bilhete que eu já tinha.

 

Fiquem avisados, portanto: pra tomar ônibus expresso em Nova York, ficou muito mais simples: basta você encontrar uma estação de metrô onde as máquinas funcionem (ou então um jornaleiro que tenha o cartão no valor que você está procurando) e comprar um Metrocard. Aí, chegando ao ponto (torcendo pra que ali também as máquinas funcionem) é só você inserir a Metrocard e imprimir um bilhete.

Ou é isso ou então você vai ter carregar moedas. Como são, no mínimo, nove moedas por viagem, é bom que você tenha sempre em mãos umas trinta e seis. Ou setenta e duas, pra você ficar mais tranquilo. Só evite ir a museus e outros edifícios públicos, onde o seu bolso vai fazer disparar qualquer alarme…

Enfim, a partir de hoje, quem vier a New York, que venha armado de paciência!

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Free Mouth Weekend, quer dizer, Open House Weekend.

Tudo grátis este fim de semana.

Olhaí, pessoal! Tremenda boca livre esse fim de semana em New Yok: é o Open House New York Weekend. São 350 locais e programas totalmente on the stripe. Exato, na faixa. É a oitava edição de uma iniciativa que celebra a arquitetura e o design da cidade.

Dias 9 e 10 de outubro, os cinco boroughs vão abrir as portas e (mais importante ainda) os bastidores de landmarks como o World Trade Center, o Chrysler Building, a Grand Central Station, a Governor’s Island e por aí afora, afora, afora.

Mas também locais incríveis, que normalmente ficam abaixo do radar de qualquer morador ou turista: a Gatehouse, no Harlem, um “castelo” que fazia parte de um aqueduto; o Lighthouse Tender LILAC, no Pier 40 do Hudson River Park, um antigo vapor que fazia as vezes de farol para a marinha; o Mount Vernon Museum & Garden, aqui do lado de casa! Um dos edifícios mais antigos de Nova York: 1799. Nasceu como uma espécie de hotel-fazenda, pois a cidade acabava na rua 14…

Enfim, 350 atrações e só dois dias pra aproveitar. Conclusão: os interessados vão ter que definir prioridades. E reservar! Todas as informações estão no site: www.ohny.org. E, pra informação up-to-the-minute, o já bom e velho (ou não?) twitter: @ohny.

Cumpri meu papel de divulgar. Agora é confiar no boca a boca, que funciona melhor ainda quando a boca é livre…

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Bye-bye bagagem.

Aderindo ao movimento viajarsemdespachar!

Pronto! Encontrei a solução pra poder participar do movimento  viajarsemdespachar, lançado pela Sylvia no twitter: basta despachar antes de viajar!  Assim chego leve e solta ao aeroporto: luggageless, a não ser por minha reduzida malinha de mão.

Então, várias empresas já estão prestando este tipo de serviço. Eles vêm até sua casa ou até seu hotel, apanham suas malas e bye-bye. Você só vai reencontrá-las quando chegar ao seu destino.

Já pensou? Além de não carregar peso, não precisar chegar tão cedo ao aeroporto e não ter que ficar plantada na esteira, você ainda elimina o bicho papão de todo viajante: bagagem extraviada. É que nesses serviços sua bagagem na verdade é “fedexada” – o que reduz praticamente a zero o risco de extravio. E pra diminuir ainda mais sua paranóia, você pode acompanhar o percurso online.

Claro que os preços são um pouco salgados (de Nova York a Paris, uns 300 doletas por mala!) mas o objetivo aqui é simplesmente divulgar a mordomia. Depois cada um decide o que fazer. Pra saber mais, é só visitar um dos serviços: o firstluggage. E tem também este, e mais este.

Bem, estou imaginando que vou ganhar vários pontos com a Sylvia.  Afinal, mandar trocentas malas na frente é sempre viajarsemdespachar. Ou não?!

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