Quem apelidou New York de A Grande Maçã?

a little big apple

Na verdade, ninguém sabe, embora as teorias abundem (epa!). A primeira delas atribui a origem do nome a um episódio ocorrido durante a grande depressão americana: empregados do mercado financeiro, arruinados pela crise, teriam passado a vender, nas ruas da metrópole, as maçãs que frutificavam em suas chácaras de subúrbio.

A segunda teoria é que o epíteto teria tido origem no mundo (mundinho, na época) do jazz: todo músico que conseguisse um emprego na cidade, se referia a ela como A Grande Maçã. Muita gente de peso (no sentido de autoridade, não de obesidade) fecha com essa hipótese. Mas as interpretações variam: para alguns, Big Apple era simplesmente uma figura de linguagem: a grande tentação de apresentar-se numa cidade grande; para outros, Big Apple era o nome de um famoso club de jazz que acabou se tornando sinônimo de NY.

A terceira teoria, adotada oficialmente pela prefeitura da cidade, reza que o nome foi criação de um jornalista que cobria corrida de cavalos. Como a principal delas acontecia em New York, era aqui que – segundo ele – os participantes vinham colher a grande maçã.

O fato é que noventa anos se passaram desde que a expressão foi usada num jornal de New Orleans – e o apelido colou para sempre. O laptop em que escrevo pode ter a maçã mais tecnólogica do mundo, mas a mais charmosa continua sendo New York, New York… Start spreading the news…

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Nada é sagrado.

Mais um templo do consumo.

Numa cidade em que tudo se transforma, é óbvio que as transformações têm que ser sempre mais grandiosas e/ou originais. A eterna necessidade de empurrar os limites éticos, estéticos e quetais.

Tudo isso pra dizer que a cidade acaba de atingir mais um “breaktrhough”. Desta vez foi uma igreja que cedeu lugar para um shoppingzinho. Cedeu lugar, não. A igreja continua inteirinha lá – mas, em vez de fiéis, o que ela abriga agora são consumidores.

A Mari já tinha cantado esse salmo, quer dizer, essa bola aqui. E eu estava esperando o fim de semana chegar (proletariado, entende?) pra poder conferir pessoalmente.

Oremos? Não, compremos.

De fato, é uma idéia original.  E, de fato, ficou simpático. Mas, como o espaço era pequeno, as lojas tiveram que fazer milagre (epa) pra caber tudo. Só para dar uma idéia: a Havaianas, que aqui vende como água, teve que se contentar com um estandezinho não maior do que um genuflexório…

Tudo muito bonitinho (notaram a ênfase no “inho”?) e com algumas áreas ainda a serem inauguradas. Na sacristia, por exemplo, eles seguramente vão abrir uma loja de vinhos (tá bom, essa foi infame). Mas no fim e no fundo a impressão que fica é que, quando crescer, o Limelight Market quer ser o Chelsea Market.

Bom, eu tinha mais uma piadinha pra esse contexto de igreja, mas o texto acabou antes. Que sacro!

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Hotel novo no pedaço.

Do outro lado da ponte.

Pegando uma carona na onda de revitalização do Brooklyn, o Sheraton acaba de inaugurar uma unidade na área.  É o primeiro hotel, desde 1998, a contemplar esse tradicional borough de New York City.

Como todos os brooklynites, o gerente do hotel afirma que o Brooklyn é a nova Manhattan. Não é, não, mas que o pedaço tem lá suas atrações, isso tem. E fica pertinho de Manhattan. Uma estação de metrô, na verdade. E, como o hotel já começa com 100% de ocupação, parece que mais gente partilha da mesma opinião.

Acho que vale a pena considerar. Hotel cheirando a novo, com preços inferiores ao de Manhattan, e muito, muito pertinho. É só cruzar a ponte – por cima ou por baixo, à vontade do freguês.

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New York sem lei e sem ordem.

Foto do site oficial da NBC™

Muita gente já deve ter lido: depois de 20 anos no ar, chega ao fim a série Law & Order, de Dick Wolf.  Um duro golpe pra Nova York: primeiro de tudo, porque a cidade perde uma vitrine onde se exibiu, no mundo inteiro, por duas décadas; segundo, porque perde ao mesmo tempo 4.000 empregos diretos e indiretos, 80 milhões de dólares/ano de faturamento, uma oportunidade de treino e grana extra para os atores da Broadway, e o sustento de centenas de pequenas empresas e profissionais: catering, costureiras, cabeleireiros, maquiadores, entregadores, etc, etc.

Tudo isso, perde materialmente a cidade – e é muito triste. Mas o que perdemos emocionalmente nós (incluo-me egoisticamente na primeira fila) não é menos digno de nota.  Embora tenha começado alguns anos depois de eu conhecer Nova York, Law & Order em pouco tempo acabou deixando o terreno da ficção para se misturar à paisagem da cidade.  Mais ainda depois que, graças ao trabalho do maridão, passei a viver longas temporadas por aqui.  Não houve ocasião, por exemplo, em que eu não passasse pela Courthouse sem ter certeza que o Sam Waterston estivesse lá dentro trabalhando.  Isso sem contar as vezes em que encontrei vários personagens pela rua. Personagens, não – pra mim, detetives e promotores no pleno exercício de suas atividades ou numa pausa do trabalho: o Sam Waterston (por quem, sendo a cara de meu pai, sempre nutri um especial carinho), o Fred Thompson, o saudoso Jerry Orbach, e tantos outros – algumas vezes na rua, outras em pontos tradicionais da cidade: numa mesa do Katz ou num balcão do Gray’s Papaya.  Não mais.  Not any more.

Não me interessa que a série estivesse claudicando nos índices de audiência. Não me interessa que considerem Los Angeles (onde será criado o novo spinoff) uma locação mais adequada. Não me interessa nada disso. O que interessa é que às segundas-feiras, quando eu ligar na NBC, vou encontrar no lugar desses amigos de 20 anos alguma série tola qualquer.  Pior ainda, algum reality show idiota – quando reality mesmo era essa fiction que passa para a história como a segunda série mais duradoura da televisão americana.  E pra mim, tenho certeza, vai durar pra sempre.

Play it again, Sam!

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Vem aí o Manhattanhenge!

Stonehenge, UK

Todo ano, o traçado urbano de Manhattan produz um fenômeno conhecido pelo palavrão aí do título. Palavrão que toma o nome emprestado do mais famoso ícone da Inglaterra: o Stonehenge, onde o mesmo “espetáculo” se repete há alguns milhares de anos.

Em Manhattan, a coisa acontece sempre em torno de 28 de maio e 12 de julho. Nessas duas ocasiões, o sol se alinha com a grade viária – mais exatamente, com as cross-town. Isso quer dizer que, de qualquer uma das centenas de ruas da cidade, você pode ver o astro-rei morrer em perfeito alinhamento com a própria.

Manhattanhenge,NY

Então, anotem aí. Quem estiver por aqui nessa época – além de ir à Broadway, aos museus, ao Central Park, aos restaurantes, aos outlets, etc, etc – vai ter que ficar atento e, no fim do dia, apanhar um ônibus down ou up town pra curtir essa “instalação” da natureza: o sol se pondo em rigoroso alinhamento com toda e qualquer rua de Manhattan. Feliz Manhattanhenge!

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A dura (tá bom, só durinha) volta à realidade.

Domingo na Pinacoteca

Depois de uma temporada das mais agradáveis no Brasil, eis-me de volta a casa.

Não posso deixar de mencionar, mesmo que rapidinho, os momentos maravilhosos que lá vivi.  Começando pelo maravilhoso encontro VnVRio2010 (leia aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), tão carinhosamente e bem organizado pela querida Majô ; continuando pelos almoços e jantares que compartilhei, em São Paulo, com amigos queridos – sempre aproveitando para colocar a prosa em dia; e, claro, ça va sans dire, o carinho da filhota.

Foi uma temporada ótima, onde encheram meu reservatório de carinho até a boca – o que me dá a certeza de durar até minha próxima viagem. Curti bastante o Rio, mas foi em São Paulo que tive mais tempo pra “fruir” a cidade e sua vida cultural: no teatro, com “Estranho Casal”; na Pinacoteca, com exposições espetaculares; nas ruas, com uma passadinha básica, como sempre, na Vila Madá para umas comprinhas e na Sex Shop (© da Flavia), mais conhecida como Livraria Cultura, onde quase detonei meu cartão de crédito e onde mais do que ultrapassei o limite de peso de minha mala.

Agora, de volta, vou curtir New York, cheia de atrações nesta época do ano . E aguardar ansiosa a chegada dos amigos que aqui virão, trazendo – espero eu – um pouco do friozinho aí do hemisfério sul.

Muito obrigada pelo carinho, queridos Trips. Espero revê-los em breve.

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