A banalidade do mal.
É a expressão de Hannah Arendt que me vem à cabeça enquanto visito Auschwitz: o extermínio de 1.1 milhão de seres humanos levado a cabo por burocratas que “cumpriam ordens”.
Mas não ouso falar disso – mesmo porque, sobre essa fatídica localidade ao lado de Cracóvia, não há nada que já não tenha sido dito. O que quero contar é a minha pequena, específica, pessoal e restrita experiência.
Fui lá pra tentar descobrir sorte de meus avós – fato que até agora desconheço. O processo não demorou mais do que 10 minutos e foi conduzido por um sensível funcionário que me tratou como se meus familiares tivessem desaparecido ontem. Fui informada que duas pessoas com o mesmo nome de meu avô tiveram a infelicidade de ter passado pelo campo. A primeira, em função da data de nascimento, tratava-se seguramente de um homônimo. A segunda, cujo registro não continha data de nascimento, obviamente deixou uma grande dúvida. Que o mesmo funcionário se apressou em eliminar, fornecendo-me organizações às quais dirigir minhas perguntas. Aprendi que são três as entidades com arquivos ainda mais completos sobre o holocausto: a primeira em Israel; a segunda na Alemanha; e a terceira nos EUA.
Claro que já me perguntei mais de uma vez porque estou fazendo isso. A resposta é muito simples e dispensa elaborações: toda família sabe quase tudo sobre as duas gerações que a precederam. Eu e minha (reduzida) família queremos saber também.

















E ta certissima sua familia, Marcie. Dedinhos cruzados, always, que sua “cruzada pessoal” vai render bons frutos.
Marcie , não lembro de ter estado num lugar mais tocante do que Yad Vashem.
Lí que esta organização é a mais eficiente :www.yadvashem.org/
Eu já entrei em contato com eles, Sylvia.
E vc vai descobrir, minha querida. Tenho fé que sim. Vai dar tudo certo. Já sabe que se precisar de ajuda… é só gritar, né?
Obrigada, querida. Toda ajuda é bem vinda.
Auschwitz foi certamente o lugar mais impressionante que já visitei.
Não tinha a intenção de procurar parentes, mesmo sendo meus avós descendentes de poloneses, mas alguma coisa me puxava pra lá.
E foi memorável.
Se quiser ler, meu relato está aqui: http://jrviajando.blogspot.com/2009/10/auschwitz-muzeun.html
Grande abraço e muita sorte na sua busca!
Vou ler, sim. E obrigada!
Obrigada pela visita, e pelo testemunho. Vou lá fazer uma visita ao seu blog!
Marcie, não sabia dessa história da sua família! Espero, de verdade, que vc consiga saber todas as informações que vc está procurando. Todo mundo tem direito a saber da sua historia!
Sua viagem e seus relatos estão mto lindos! bjus
Obrigada, querida! E obrigada pela visita!
Marcie, nossa que história!
Imagino o mix de emoções que você deve estar sentindo nessa sua busca pessoal, visitando lugares tão afetos à história de sua família…deve ser muito emocinante!
Espero que você encontre respostas para sua questões e que sejam satisfatórias!
Um Bjo, querida!
Está, sim, sendo uma emoção intensa. Principalmente porque demorei tanto pra ter coragem!
E aqui vai uma notícia em primeiríssima mão: acabei de receber um email de uma pessoa que tinha se proposto a seguir
a pesquisa. Vamos ver se dá certo, né?
Querida, fui ler todos os posts, ‘de cabeça pra baixo’ como você me indicou. Estou aqui com um nó na garganta, mas torcendo para você conseguir achar algo sobre seus avós e seu pai, vai aparecer algo sim, quando você menos espera vem uma notícia boa! Levamos 1 ano para achar meu bisavô na Itália, minha mãe foi para lá muito esperançosa e perdeu a viagem, só depois fomos juntando uma coisinha aqui, outra ali… E como você disse, nós queremos saber sobre a nossa família por uma questão de afeto, de história e não por outro interesse qualquer. Como disse a Guta aí em cima, seus relatos e sua viagem estão lindos, acrescento que as fotos também! Beijos! Aguardando mais posts!!
Marcie, cheguei ontem à noite de viagem e só agora pude colocar meus emails em dia. Mas fui correndo ver o q havia de novidade no Abrindoobico. Estava curiosíssima pra saber como andavam suas pesquisas. E encontrei muito mais do q procurava. Seus posts tem q ser guardados. Claro q informam, ilustram e sugerem lugares para uma viagem. Mas, além disso, trazem uma enorme carga emocional ao mesmo tempo triste e bonita, muito bonita. Querida Marcie, mesmo sem ter encontrado (até agora) tudo o q procurava, já obteve vitórias. Venceu suas barreiras, foi ao encontro de sua história, mesmo sabendo q encontraria, muito provavelmente, capítulos tristes. E vc vai seguindo com garra e humor. Parabéns. Continuo torcendo por vc. Beijos.
Queridoca,
Como nao tive noticias suas, fui busca-las. Emocionante! Acho que esta eh a GRANDE VIAGEM. A viagem p’ra dentro… da historia, da sua familia e principalmente de si mesma. Tenha fe e paciencia (sei que esta palavra eh nao eh muito do seu gosto, mas as vezes eh preciso…) que mais hora, menos hora as informacoes vao comecar a brotar e um fio vai puxando outro. Adorei a historia do simbolos em Varsovia. So para te contar o que voce ja deve saber, almocei com a Ju e ja acertamos tudo. Beijinhos saudosos.
Marcie querida, tenho certeza que você encontrará o fio da meada, aos poucos. A carga de emoção que você está passando certamente é enorme, porque na família temos nossos grandes laços afetivos, mesmo que não tenhamos os conhecido.
Seu post transborda emoção, estamos do ladinho torcendo por você
Pela primeira vez visito seu blog e adorei. Acho que viajar por si só è maravilhoso. E tendo um motivo tao especial como o seu, as coisas ficam ainda mais significativas. Voltarei sempre, sempre!
Obrigada pela vsita. Volte sempre, sim.
Oi Marcia, é um caminho difícil e doloroso, mas há que ser percorrido. Somente o próprio indivíduo tem a dimensão exata da sua dor; por mais que tenhamos empatia e solidariedade, não conseguiremos chegar perto do que o outro sente. Seria até arrogância.
Mas conseguiu descobrir mais alguma coisa, ou vai ter que aguardar o prazo que a funcionária mencionou para localizar os registros sobre sua família?
Abs e boa sorte!
Arthur
Arthur, eu já tive algumas respostas, sim. O rapaz, gentilíssimo, do escritório de registros de Auschwitz me escreveu 5 emails, inclusive com cópias de documentos. Mas com datas discrepantes, então ainda estamos procurando. E em Varsóvia, foi dado entrada na repartição apropriada de uma certidão de nascimento do meu pai. Vamos ver. Por enquanto, tenho esperanças.
Obrigada pela visita e pelo apoio, viu?
Oi Marcie, pelo menos parece que as coisas estão andando. Abraços!