A banalidade do mal.

É a expressão de Hannah Arendt que me vem à cabeça enquanto visito Auschwitz: o extermínio de 1.1 milhão de seres humanos levado a cabo por burocratas que “cumpriam ordens”.

Mas não ouso falar disso – mesmo porque, sobre essa fatídica localidade ao lado de Cracóvia, não há nada que já não tenha sido dito. O que quero contar é a minha pequena, específica, pessoal e restrita experiência.

Fui lá pra tentar descobrir sorte de meus avós – fato que até agora desconheço. O processo não demorou mais do que 10 minutos e foi conduzido por um sensível funcionário que me tratou como se meus familiares tivessem desaparecido ontem. Fui informada que duas pessoas com o mesmo nome de meu avô tiveram a infelicidade de ter passado pelo campo. A primeira, em função da data de nascimento, tratava-se seguramente de um homônimo.  A segunda, cujo registro não continha data de nascimento, obviamente deixou uma grande dúvida. Que o mesmo funcionário se apressou em eliminar, fornecendo-me organizações às quais dirigir minhas perguntas. Aprendi que são três as entidades com arquivos ainda mais completos sobre o holocausto: a primeira em Israel; a segunda na Alemanha; e a terceira nos EUA.

Claro que já me perguntei mais de uma vez porque estou fazendo isso. A resposta é muito simples e dispensa elaborações: toda família sabe quase tudo sobre as duas gerações que a precederam.  Eu e minha (reduzida) família queremos saber também.

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Comments
  • E ta certissima sua familia, Marcie. Dedinhos cruzados, always, que sua “cruzada pessoal” vai render bons frutos.

    19 de fevereiro, 2010
  • Marcie , não lembro de ter estado num lugar mais tocante do que Yad Vashem.
    Lí que esta organização é a mais eficiente :www.yadvashem.org/

    19 de fevereiro, 2010
    • Eu já entrei em contato com eles, Sylvia.

      19 de fevereiro, 2010
  • E vc vai descobrir, minha querida. Tenho fé que sim. Vai dar tudo certo. Já sabe que se precisar de ajuda… é só gritar, né?

    19 de fevereiro, 2010
    • Obrigada, querida. Toda ajuda é bem vinda.

      20 de fevereiro, 2010
  • Auschwitz foi certamente o lugar mais impressionante que já visitei.
    Não tinha a intenção de procurar parentes, mesmo sendo meus avós descendentes de poloneses, mas alguma coisa me puxava pra lá.
    E foi memorável.
    Se quiser ler, meu relato está aqui: http://jrviajando.blogspot.com/2009/10/auschwitz-muzeun.html

    Grande abraço e muita sorte na sua busca!

    19 de fevereiro, 2010
    • Vou ler, sim. E obrigada!

      20 de fevereiro, 2010
    • Obrigada pela visita, e pelo testemunho. Vou lá fazer uma visita ao seu blog!

      22 de fevereiro, 2010
  • Marcie, não sabia dessa história da sua família! Espero, de verdade, que vc consiga saber todas as informações que vc está procurando. Todo mundo tem direito a saber da sua historia!
    Sua viagem e seus relatos estão mto lindos! bjus

    21 de fevereiro, 2010
    • Obrigada, querida! E obrigada pela visita!

      22 de fevereiro, 2010
  • Marcie, nossa que história!
    Imagino o mix de emoções que você deve estar sentindo nessa sua busca pessoal, visitando lugares tão afetos à história de sua família…deve ser muito emocinante!
    Espero que você encontre respostas para sua questões e que sejam satisfatórias!
    Um Bjo, querida! 😉

    22 de fevereiro, 2010
    • Está, sim, sendo uma emoção intensa. Principalmente porque demorei tanto pra ter coragem!
      E aqui vai uma notícia em primeiríssima mão: acabei de receber um email de uma pessoa que tinha se proposto a seguir
      a pesquisa. Vamos ver se dá certo, né? 😉

      22 de fevereiro, 2010
  • Querida, fui ler todos os posts, ‘de cabeça pra baixo’ como você me indicou. Estou aqui com um nó na garganta, mas torcendo para você conseguir achar algo sobre seus avós e seu pai, vai aparecer algo sim, quando você menos espera vem uma notícia boa! Levamos 1 ano para achar meu bisavô na Itália, minha mãe foi para lá muito esperançosa e perdeu a viagem, só depois fomos juntando uma coisinha aqui, outra ali… E como você disse, nós queremos saber sobre a nossa família por uma questão de afeto, de história e não por outro interesse qualquer. Como disse a Guta aí em cima, seus relatos e sua viagem estão lindos, acrescento que as fotos também! Beijos! Aguardando mais posts!!

    22 de fevereiro, 2010
  • Marcie, cheguei ontem à noite de viagem e só agora pude colocar meus emails em dia. Mas fui correndo ver o q havia de novidade no Abrindoobico. Estava curiosíssima pra saber como andavam suas pesquisas. E encontrei muito mais do q procurava. Seus posts tem q ser guardados. Claro q informam, ilustram e sugerem lugares para uma viagem. Mas, além disso, trazem uma enorme carga emocional ao mesmo tempo triste e bonita, muito bonita. Querida Marcie, mesmo sem ter encontrado (até agora) tudo o q procurava, já obteve vitórias. Venceu suas barreiras, foi ao encontro de sua história, mesmo sabendo q encontraria, muito provavelmente, capítulos tristes. E vc vai seguindo com garra e humor. Parabéns. Continuo torcendo por vc. Beijos.

    23 de fevereiro, 2010
  • Queridoca,
    Como nao tive noticias suas, fui busca-las. Emocionante! Acho que esta eh a GRANDE VIAGEM. A viagem p’ra dentro… da historia, da sua familia e principalmente de si mesma. Tenha fe e paciencia (sei que esta palavra eh nao eh muito do seu gosto, mas as vezes eh preciso…) que mais hora, menos hora as informacoes vao comecar a brotar e um fio vai puxando outro. Adorei a historia do simbolos em Varsovia. So para te contar o que voce ja deve saber, almocei com a Ju e ja acertamos tudo. Beijinhos saudosos.

    27 de fevereiro, 2010
  • Marcie querida, tenho certeza que você encontrará o fio da meada, aos poucos. A carga de emoção que você está passando certamente é enorme, porque na família temos nossos grandes laços afetivos, mesmo que não tenhamos os conhecido.
    Seu post transborda emoção, estamos do ladinho torcendo por você 😉

    28 de fevereiro, 2010
  • Pela primeira vez visito seu blog e adorei. Acho que viajar por si só è maravilhoso. E tendo um motivo tao especial como o seu, as coisas ficam ainda mais significativas. Voltarei sempre, sempre!

    1 de março, 2010
    • Obrigada pela vsita. Volte sempre, sim.

      1 de março, 2010
  • Oi Marcia, é um caminho difícil e doloroso, mas há que ser percorrido. Somente o próprio indivíduo tem a dimensão exata da sua dor; por mais que tenhamos empatia e solidariedade, não conseguiremos chegar perto do que o outro sente. Seria até arrogância.
    Mas conseguiu descobrir mais alguma coisa, ou vai ter que aguardar o prazo que a funcionária mencionou para localizar os registros sobre sua família?
    Abs e boa sorte!
    Arthur

    6 de março, 2010
    • Arthur, eu já tive algumas respostas, sim. O rapaz, gentilíssimo, do escritório de registros de Auschwitz me escreveu 5 emails, inclusive com cópias de documentos. Mas com datas discrepantes, então ainda estamos procurando. E em Varsóvia, foi dado entrada na repartição apropriada de uma certidão de nascimento do meu pai. Vamos ver. Por enquanto, tenho esperanças.
      Obrigada pela visita e pelo apoio, viu?

      6 de março, 2010
  • Oi Marcie, pelo menos parece que as coisas estão andando. Abraços!

    8 de março, 2010

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