A banalidade do mal.

É a expressão de Hannah Arendt que me vem à cabeça enquanto visito Auschwitz: o extermínio de 1.1 milhão de seres humanos levado a cabo por burocratas que “cumpriam ordens”.

Mas não ouso falar disso – mesmo porque, sobre essa fatídica localidade ao lado de Cracóvia, não há nada que já não tenha sido dito. O que quero contar é a minha pequena, específica, pessoal e restrita experiência.

Fui lá pra tentar descobrir sorte de meus avós – fato que até agora desconheço. O processo não demorou mais do que 10 minutos e foi conduzido por um sensível funcionário que me tratou como se meus familiares tivessem desaparecido ontem. Fui informada que duas pessoas com o mesmo nome de meu avô tiveram a infelicidade de ter passado pelo campo. A primeira, em função da data de nascimento, tratava-se seguramente de um homônimo.  A segunda, cujo registro não continha data de nascimento, obviamente deixou uma grande dúvida. Que o mesmo funcionário se apressou em eliminar, fornecendo-me organizações às quais dirigir minhas perguntas. Aprendi que são três as entidades com arquivos ainda mais completos sobre o holocausto: a primeira em Israel; a segunda na Alemanha; e a terceira nos EUA.

Claro que já me perguntei mais de uma vez porque estou fazendo isso. A resposta é muito simples e dispensa elaborações: toda família sabe quase tudo sobre as duas gerações que a precederam.  Eu e minha (reduzida) família queremos saber também.

Comentários (21)

Escreveu não leu, símbolo!

Estou vendendo o peixe como comprei – e já, já vocês vão ver que a palavra “peixe” cai como uma luva nessa história. Enfim, o “causo” é o seguinte: por causa do alto grau de analfabetismo reinante no pedaço (alguns séculos atrás, é claro), as construções varsovianas eram identificadas através de símbolos desenhados ou esculpidos nas paredes externas. A casa de fulano tinha um ramo. A casa de sicrano, uma águia. A casa de beltrano, uma figura mitológica. Etc, etc (mesmo porque não sei o que vem depois de beltrano).

Com o tempo, coisa muito natural que acontecesse, os símbolos passaram a identificar atividades (algo como aqueles cilindros meio psicodélicos que, séculos depois, virariam cartão de visita dos barbeiros americanos). Mas voltemos a Varsóvia: apenas ouvida a história, o que é que o guia  mostra como exemplo?  Uma casa em frente com um imenso pelicano incrustado  na parede – um símbolo de caridade cristã que passou a identificar os médicos da cidade. Qualquer problema de saúde, bastava procurar uma casa com a ave de papo grande…

Achei divertida a coisa e, como um neurônio puxa o outro, lembrei-me imediatamente (na verdade, 8 horas depois, durante o banho) de um hospital de Bruges com o mesmo pássaro na parede: o St. Johns Hospital. Em seguida, girei um pouco por Varsóvia pra ver que outro bicho ia dar. E não é que deu! Fotografei vários símbolos, os mais interessantes dos quais eu posto aqui.

Mas não me perguntem o que significam. Nós só ouvimos o exemplo do pelicano – e assim mesmo de bicões (ai!) porque não fazíamos parte do grupo…

Comentários (9)

Carnaval em Varsóvia? Tem sim senhor!

Com a Denise e a Paula falando há séculos do carnaval da Pipa; a Majô voltando pra casa de uma maravilhosa viagem; a Flavia se esbaldando no Rio; e o Riq trabalhando arduamente; eu também não quis deixar a ocasião passar (literalmente) em branco.

Então trouxe para vocês, com exclusividade, o Carnaval de Varsóvia – onde ninguém rasga a fantasia… mesmo porque morreria de frio!

Marquês de Sapukaiowsky

Eu quero é botar meu floco na rua...

1º Prêmio, Categoria Luxo.

Só pra fechar: aí, quarta-feira de cinzas.  Aqui, quarta-feira totalmente branca.

Comentários (15)

Finalmente um lugar onde não preciso soletrar meu nome.

Repartição pública : só muda a língua.

Gê de gato; Érre de Raquel; Ípsilon de York; Ene de navio; Bê de bola; Éle de Lima; A de Ana; Tê de tatu. Foi assim que a vida inteira eu tive que “explicar” meu sobrenome paterno. Mas hoje, não.

Pode parecer bem pouquinho, mas chegar a uma repartição pública e não precisar s-o-le-t-r-a-r Grynblat quase compensou o fato de (ainda) não ter achado o que procurava. Uma sensação de estar em casa – eu que estou há apenas 24 horas no país!

Tradução, por favor?

E não foi apenas uma repartição. Foram três. Com a ajuda de uma polonesa de nome Graça. Graças a ela, cheguei muito perto de conseguir os documentos que procuro.


Finalmente, algo que entendo.

Mas só perto, infelizmente. O que me leva a concluir, com toda a segurança e nenhuma originalidade, que o serviço público guarda incríveis semelhanças – seja ele brasileiro, italiano, português ou polonês.

Nos três postos aos quais compareci, a primeira palavra foi sempre “não”.  E foi só graças à Graça (ops, tô me repetindo) que conseguimos passar do “não” ao “talvez”.

Nº 11, aniversário do meu pai.

Resumo da ópera (cujo teatro, aliás, fica aqui ao lado do hotel) é que deverei preencher uma requisição explicando o porquê de meu interesse nas informações solicitadas (ou seja, por que quero saber onde meu pai nasceu e morou…).

No problem. Já “estou startando” isso. Vou ter que esperar três meses, mas é sempre mais efetivo do que sair perguntando pelas ruas de Varsóvia: – o senhor conheceu o Henryk Grynblat?

Comentários (11)

De volta para o passado

Old Town Square

Demorei mais de cinco décadas pra chegar ao lugar de onde escrevo.  Nem mesmo os quase 15 anos vividos na Itália conseguiram me animar a cobrir a curta distância que separa Roma de Varsóvia.  Quando o Gabriel escreveu sobre a visita dele, eu favoritei sem ler: ainda não estava preparada. Depois a Dri também relatou – e o processo foi o mesmo.

Mas a vontade estava lá: eu sabia que mais dia, menos dia a coisa ia acabar acontecendo. E assim foi. Aproveitando uma viagem ao velho  continente, resolvi que era hora.

Old Town Square II

Pedi ajuda ao Riq e aos Trips e, juntando as informações, finalmente aterrissei na terra natal de meu pai. Lugar onde toda a sua família viveu até que a insensatez dos homem a dizimasse. Meu pai só foi poupado porque fugiu na hora certa. Japão, China, depois Brasil.

Vai neve aí?

E nunca falou sobre o passado. Ou falou apenas uma vez – história da qual uma menina de pouco mais de dez anos só conseguiu registrar fragmentos.

Com nada nas mãos, o que fiz foi recorrer a uma espécie de pesquisa.

Antes de vir, escrevi para os órgãos oficiais na tentativa de levantar informação: todo e qualquer tipo de registro relativo a meus avós, meu pai e meus tios. Onde teriam nascido. Onde teriam morado. Em que escola estudaram. O que fizeram no exército. E por aí afora.  Mas as respostas foram menos do que satisfatórias.

Na verdade, não sei exatamente o que eu esperava encontrar. Mas vou contar como é que foi até agora.

A primeira coisa que constatei é que, diferente do que aconteceu na Rússia (onde, depois de um dia, desandei a falar como uma moskovita) aqui não consegui ir além das duas palavras que já conhecia desde a infância: gindobre – bom dia; e giankuia – obrigada.

Cheguei num dia cinza – como imagino seja a maioria dos dias invernais por aqui.  Acúmulo de neve por toda parte; e os varsovianos soterrados por camadas de malhas, casacos e cachecóis.  Acho que eu era a única pessoa sorrindo.

Em pouco tempo, ficou claro que – para obter alguma informação – eu teria que ir ao Arquivo Central. Repartição que obviamente já estava fechada!

Então, por hoje, deixo apenas um mini-fotoblog para atiçar o apetite: um curto passeio que fiz nessa cidade que renasceu das cinzas da guerra tal e qual fora no passado.

Uma emoção difícil de comunicar. A sensação de intimidade que me provoca o pisar o chão que meu pai pisou. E o total estranhamento por não saber nada do que ele tenha feito aqui.

Comentários (23)

Carlinha abre o bico no ABRINDO O BICO.

Depois de insistentes pedidos deste blog que você lê, a Carlinha decidiu aproveitar sua temporada de trabalho em Houston para  contar experiências e passeios. Com a palavra, Carlinha. De Houston para o mundo!

Em Houston aposto que tem mais coisas a fazer do que eu fiz, mas não sei dirigir então tudo fica mais difícil, afinal Houston é o tipo de cidade onde se faz tudo de carro. É freeway pra todos os lados…lojas enormes…estacionamentos enormes…carros enormes…

Nasa

Vim parar aqui dessa vez em Houston a trabalho. E já que estou aqui…vou tentar me divertir ne! E tentar fazer umas viagenzinhas também.

Em Houston aposto que tem mais coisas a fazer do que eu fiz, mas não sei dirigir então tudo fica mais difícil, afinal Houston e o tipo de cidade que se faz tudo de carro. É freeway pra todos os lados…lojas enormes…estacionamentos enormes…carros enormes…

Dizem que tem boates e restaurantes maneirinhos aqui, mas vamos mesmo mais em restaurantes de cadeias, mas gostosinhos como o  PappadeauxCarrabasMacaroni GrillChamppsGrand Lux Cafe(La vende cheesecake da Cheesecake Factory!) Ah eles adoram também uma steak house…mas a nossa carne é muito melhor que as deles! Algumas que fui e gostei são Taste of TexasPerry’sSteamboat. Sucesso absoluto só mesmo a Fogo de Chao.. O único restaurante mais originalzinho que vamos é um francês Bistro Provence.

Outro passeio bem comum é ir às compras! Aqui tem os outlets com preços realmente bons  como oHouston Premium Outlet e o Katy Mills, o shopping “perto “ da minha casa, o Memorial Mall (que tem todas as lojas manjadas além da Macy’s e da Target) que também tem cinema (e um monte de adolescentes ahhhh). O shopping bacana é o Galleria com as superlojas e um estilo melhor que os outros. Tem mais vários mallzinhos pela cidade e um bem bacana é o Town and Country.

Em Houston tem alguns parques e quando o tempo está bom tento ir correr e até já fiquei um sábado no estilo piquenique em um bem pequeno numa zona residencial…Alias um programa que gosto é passear pelos bairros residenciais e ver as casas bem típicas…com cesta de basquete na garagem e bandeira dos Estados Unidos na porta.

Dentre os museus já fui no de Ciências Naturais que eu amei! Mas é porque tem uma parte de petróleo maneiríssima…acho que todos que trabalham na área deveriam ver essa ala do museu e ver como eles apresentam “óleo e gás” para as crianças, um super incentivo! Há também o museu de Fine Arts, um de Crianças, Aquário, Zoológico e tudo isso num City Pass que parece super valer a pena. Tem um museu também que ate esta naquele livro “1000 lugares…”  Menil Collection, mas eu não achei nada demais (ainda bem que e de graça!)

Um programa bem divertido e ir no jogo de basquete da NBA. O time aqui é o Houston Rockets e eles realmente sabem fazer um espetáculo!

Fui ao jogo

Saindo um pouco de Houston tem a Nasa, são uns 40 minutos, eu achei bem interessante e até fiquei curiosa com o assunto que  sempre achei tão bom…mas gostei do passeio! É mais voltado pra crianças…mas tem uns filmes bem interessantes…tem um passeio de trenzinho também que vai até a sala de controle, mas acho que esse tour poderia ser mais rápido…

Continuando, chega-se a Galveston que e a cidade de praia mais conhecida da região. Foi devastada no Ike, um furacão que passou por aqui em 2008 e esta se recuperando. Antes de Galveston tem um outro centrinho, que não e uma cidade mas que e agradável, Kemah. Eu achei com cara de americana, fake, sem charme, parece um parque de diversão mesmo. Mas é um passeio legal.

Andando mais ainda e para os outros lados da cidade em 2horas e meia pode-se viajar para duas outras cidades, Austin e San Antonio. Austin ainda não fui, mas pretendo ir em breve, seguindo as dicas daLuciana Misura. Já San Antonio fui e adorei! É uma cidade histórica, que envolve a conquista do território do Texas e tal. Como marco tem as ruínas de uma antigo forte, o Alamo. É uma das cidades mais visitadas dos Estados Unidos, é legal porque tem parte histórica, tem um caminhozinho em volta do Rio cheio de restaurantes, bares e algumas lojas, o River Walk, bem gostoso. Perto de lá há parques como o Sea World e oSix Flags, mas estão fechados nessa época do ano. Passei um dia e foi suficiente, o ideal é combinar Austin e San Antonio num final de semana.

River Walk

Também dei duas escapadelas nesse período. Muito boas por sinal. Na primeira passei um final de semana em NY e encontrei a Marcie! Foi uma delicia. Fiquei hospedada no Pod, que sempre quis conhecer e como era dezembro adorei aquele clima natalino da cidade. A árvore de Natal do Rockfeller Center lotada!!! As pistas de patinação do Rockfeller, Central Park e Bryant Park ( onde, aliás, tinha uma feirinha ótima) lotaadas, a quase neve…Tentei andar de bike no Central Park mas estava friiio e não tinha ninguém para alugar…Fui depois de tanto se falar no VnV no Top of the Rock…assisti Mamma Mia (e gostei!) e fui na exposição de relíquias do Titanic...bem legal. Andei aquela cidade toda…passei friiio, molhei minha bota um desastre hehehe,  Ah e almocinho com a Marcie, ponto alto!!!

Do alto do Top of the Rock

No parque.

A segunda viagem foi para São Francisco nesse ultimo final de semana. Foi ótimo. Eu não conhecia então foi tudo novidade!!! Fiquei num albergue ótimo! Nem acreditei que paguei 84 dólares por um quarto (viahostelworld) com café da manhã, banheiro no quarto, armário bom, espelho de corpo inteiro, o quarto era aquele com duas camas de casal…ótimo negocio. Na verdade aluguei um e ganhei outro, são bem perto e tomava café no outro…que era mais albergão, o Adelaide…se tivesse numa outra disposição…lá era bem animado. O hostel fica em downtown e pelo que entendi a maioria dos turistas fica lá. (Onde mais é bom de se ficar lá, alguém sabe…). Achei o downtown mais legal durante o dia que a noite. Difiiicil achar algum lugar pra comer depois de 9:30 10 horas (só achei um diner vagaba que funciona até tarde  e uns restaurantes dentro da Macy’s que fechavam 1 da manhã) e não tem barzinho…só boate…talvez outros bairros, como o North Beach tenha um clima melhor para jantarzinho e bar.

Andei de bondinho literalmente pra cima e pra baixo, adoro! E me encantei pela cidade…bem diferente do que estou acostumada hoje…as coisas não tem aquela cara de fake e as pessoas andam na rua!!! É tão emocionante!!!

Fiquei perambulando por aquele píer, alias aqueles, pretendia fazer um passeio de bike de atravessar a ponte…mas acabei trocando por uma degustação de vinhos californianos, lá no píer mesmo, pena não saber o nome do lugar…vi  leões marinhos…e nossa a cidade estava bem cheia de turistas!!! Tinha a impressão de São Francisco ter um fog eterno e chover pra caramba…mas só peguei dias lindos!

Indo pra Alcatraz

Fiz o passeio pra Alcatraz, que pelo que lia tinha que reservar com antecedência e tal…mas comprei na hora tranqüilo. Esperava mais…mas a gente ganha o passeio de barco de bônus, ok…Achava que tomava o dia inteiro mas não…da pra gastar 2 horas entre ir…conhecer e voltar. Tudo bem que eu não tinha uma câmera pra tirar fotos…então tudo fica mais rápido hehehe (as fotos daqui são do celular de uma amiga).

De carro andei por mais o que podia da cidade…passei a ponte e fui ate Sausalito. Amei! O dia tava tão lindo e agradável que era feito pra ficar lá de bobeira…E encontrar esses cartões postais, como a Golden Gate faz sempre parte dos nossos programas turísticos,  uma felicidade a mais! Na cidade passamos pelo Golden Gate Park, que eu não tinha idéia que tinha um parque tão grande desses em São Francisco, pela Alamo Square pra ver as casinhas fofinhas, pela Lombard Street pra descer em zigue-zague achando que e carro alegórico dando tchauzinho pros turistas hehehe. Uma coisa legal, pra quem gosta de tirar fotos (ou pelo menos leva máquina pra viagem :oops: ) é que nessas ladeironas as vezes consegue vistas maravilhosas! Nao fui nos museus…o Young e o Exploratorium estavam nos meus planos…mas ficaram pra próxima (alguém já foi… São bons…)

O engraçado foi fazer uma viagem dessas sem planejar absolutamente nada…eu não sou assim…vocês sabem!!! É que não deu tempo mesmo…eu nem sabia o que tinha na cidade alem dos bondinhos, píer, Alcatraz…e que um dia eu ia voltar! Mas o que gostei mesmo foi do clima da cidade…vou voltar com certeza!

Comentários (9)

O Zé ali da esquina.

Tijolinho à vista, mas o nome não.

Primeiro de tudo, longe de mim a idéia de querer invadir a praia do Boa Vida ou do DCPV. Mas é que preciso contar de um Café aberto há pouco tempo aqui em New York. Não que eu vá avaliar o cardápio, comentar a decoração ou discorrer sobre o serviço. Nada disso. Só quero falar da coincidência de estar caminhando (ou fazer de conta que estou caminhando: meu pobre pé!) aqui pela vizinhança, quando me deparo com um local chamado Zé.

Lugar charmosíssimo, no coração de um bairro super residencial: o Sutton Place e a apenas alguns quarteirões da ONU. Reconheci o espaço, antes ocupado por uma daquelas floriculturas carésimas (onde uma dúzia de rosas você tinha que dividir em 12 vezes no cartão…).

Fotinho que peguei do site do Zé Café

Bem, procura daqui, procura dali e (como não podia deixar de ser) o dono é brasileiro. E o chef trabalhou anteriormente no Le Cirque.

Agora já não vai ser estranho eu sair de casa, dizendo: – Vou até o , ali na esquina.

Ah, sim: a esquina em questão é a da 1a. Avenida com a 52. E, na verdade, o fica a alguns metros do cruzamento. Com um letreiro discreto – até demais.  Número 398, para ser precisa. Coisa que sempre precisa, certo?

Comentários (6)