Mais um que se vai…

Não sei quantos de vocês conheceram o local, mas o centenário Café e Gourmet Market Bazzini está para fechar suas portas.  Um prédio do século XIX na Greenwich Street, com pé direito altíssimo, mesas comunais, sanduíches gigantescos, sopas deliciosas e um maravilhoso mercadinho de importados. Sem falar nas “nuts” que na verdade deram origem ao business.

E por que  o Bazzini estaria fechando? Não, não é por causa da crise – embora ela tenha dizimado “ene” outros cafés e restaurantes nas redondezas. O que fechou o Bazzini foi a abertuta do Whole Foods algumas quadras abaixo. Como disse um jornalista, é como abrir um WalMart ao lado de uma mercearia.

Enfim, a história de sempre: Davi contra Golias. Só que ultimamente é o gigante que tem vencido a parada. No mesmo prédio do Whole Foods, também abriram filiais a Barnes & Noble e a Bed Bath & Beyond. Ninguém precisa pensar muito pra saber o que vai acontecer com as pequenas livrarias da área. Idem com as lojas de coisas para casa.

É o gigantismo, gente – uma tendência que empobrece cada vez mais nossa experiência cotidiana. Tudo grande, tudo igual, tudo medíocre (só sentido literal do termo).

Alguém, please, me leva de volta pra Europa?!

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Pode faltar pão, mas o circo vai bem, obrigado.

E nem é uma liquidação!

Quer ver a nova montagem de Carmen no Metropolitan? Todos os ingressos pagáveis já sumiram há muito tempo…

Quer ver Carmen transmitida ao vivo, em HD, num dos vários cinemas dos Estados Unidos e Canadá? Também está difícil.

Quer ver Avatar em IMAX 3D? Está sold out.

Quer ver Little Night Music, Billy Elliot, Jersey Boys, South Pacific, The Lion King (ainda!), West Side Story ou Wicked? De duas, uma: ingressos nos quais você vai ter que investir o orçamento do mês ou ingressos para os quais usam o eufemismo de “visão parcial”. Quer dizer, em vez do show, você vai ver uma coluna.

E por aí afora. Teatro, cinema, museus, etc. A conclusão a que se chega é que, apesar da crise, a indústria do entretenimento está bombando. Êpa, nesses tempos tumultados, é melhor usar outra expressão: vai de vento em popa…

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Esta rua é um palavrão.

A rua é um pouco maior que a placa

Já a conhecia de priscas eras, mas voltei lá para algumas fotos. É uma rua de, estourando, 60 metros no 1er Arrondissement.  Perto do Louvre.  Tirando um antiquariado e uma galeria de fotos, não há mais nada de notável na extensa artéria.  Ah, sim, também existe um hotel – mas, por tudo que li, é melhor manter distância dele.

Claro que, por razões óbvias, acho o nome interessante.  Mas mais interessante é o que está por trás dele.  A rua não ganhou esse epíteto porque alguém gostasse da ave, mas sim porque “pelican” era o som mais próximo do palavrão que identificava a rua na idade média.

De fato, até o século XIX muitos logradouros públicos parisienses eram chamados por nomes chulos (eta palavrinha estranha!). Com o advento dos bons modos (prática precursora do politicamente correto) tornou-se necessário rebatizar dezenas de ruas e praças – entre elas, a Rue du Pélican.

Só para dar um exemplo, o nome original da Place de la République era  Place de La Raie Publique (ou Praça das Mulheres Públicas…).  O gosto pelo trocadilho fácil (forma popular de humor) era generalizado.  Quando a Ministra Marthe Richard (estado civil, viúva) fechou as famosas casas de tolerância parisienses, o povo passou a chamá-la de Veuve Qui Clôt (a viúva que fechou).  Quanto à Rua do Pelicano, o nome medieval é chulo demais pra ser reproduzido num blog de mocinha fina.  Tá bom, fina mas nem tão mocinha.

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