Uma exposição fora do circuito MOMEGU (Moma-Metropolitan-Guggenheim)

Chegando a NY, todo mundo fica logo sabendo: o Lucien Freud está no Metropolitan; o Frank Lloyd Wright está no Guggenheim; e o Armout Mik está no MOMA.

Mas muita gente se esquece (talvez por falta de tempo) de que lá no West Side, escondidinho entre o Museu de História Natural (alguém ainda curte dinossauros?) e o Lincoln Center, fica o New York Historical Society.

Este museu pequeno, mas de grande importância no cenário cultural da cidade, apresenta este mês as fotografias do chileno Camilo José Vergara, numa mostra denominada “Harlem, 1970-2009”. São apenas 100 fotos, um punhado das quais explorando o tema pelo qual o autor se tornou conhecido: testemunhar a passagem do tempo através da chamada “street photograph”. Vergara fotografou os mesmos lugares durante décadas, registrando pacientemente a transformação por que tem passado  o Harlem, um dos boroughs mais coloridos de NY. A construção ou o novo uso de um imóvel; a metamorfose contínua das fachadas; a deterioração da propriedade; sua eventual demolição; o indefectível estacionamento ocupando o espaço vazio; até a construção de um novo imóvel.  Esta sua insistência em clicar sempre as mesmas fotos, em intervalos regulares de tempo, rendeu-lhe, entre outros, dois grandes ensaios de Arquitetura Antropológica: “The New American Ghetto” e “American Ruins”.

quadro
O trabalho ganha ainda mais valor quando se lembra que as fotos foram feitas  durante o horário de almoço do day-time-job do autor. Sobre suas motivações, Vergara afirma ter uma necessidade física de fazer esse tipo de foto-documentário: focar a mudança constante o distrai de suas ansiedades e, ao mesmo tempo, o conecta com uma cultura da qual ele – como imigrante – se sente afastado.

A única nota negativa é que a exposição, apesar de reunir fotos belíssimas, dedica pouco espaço ao tema pelo qual Vergara é mais conhecido: a transformação do tecido urbano. Mas, para quem curte fotografia, arquitetura ou quer apenas conhecer um novo museu, vale a pena.

Nota da Redação : apesar de o sistema não mostrar, este post gerou comentários. Para ler, é só clicar Comentários no final do texto.

Compartilhar com:
Comentários
  • Eu A-DO-RO foto-documentário. Como fotojornalista a gente não tem muito tempo de desenvolver um trabalho longo como esse. Mas é o mais gratificante: registrar os acontecimentos do lugar, o “passar do tempo”, e a evolução do mundo (ou do nosso mundo, o mundo de cada um, como foi o caso do Vergara).
    Mais um ponto pra NY: dar valor à arte da fotografia. Já fiquei doida pra ver!
    E mais um ponto pra Marcie pelo post e a dedicação pela fotografia!
    um beijo querida!

    7 de junho, 2009
  • Amei a dica ..
    Sou louca por exposições fotogràficas..
    Amo fotos..
    So tenho que aprender a tirar.. hehe!!
    Mas està nos meus planos de 2009 fazer um curso..
    =)

    9 de junho, 2009
  • Marcie, o Maurício iria pirar nessa exposição! Sério, acho melhor nem comentar com ele…ai, eu precisava ficar pelo menos uns 20 dias em NYC, só pra começar….

    9 de junho, 2009

Deixe um Comentário